Pirâmide financeira: brasileira condenada foge para Dubai após golpe

Izabela Cristy Gomes Barros, condenada por esquema de pirâmide financeira que prometia lucros de 400%, deixou o Brasil ilegalmente e ostenta luxo nos Emirados Árabes.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 00:003 min de leitura

Pirâmide financeira: brasileira condenada foge para Dubai após golpe
Resumo em 10 segundos

Investigada por lesar centenas de investidores com promessas de retornos astronômicos, empresária dribla restrições judiciais e vive rotina de alto padrão no exterior.

A mineira Izabela Cristy Gomes Barros, condenada por liderar um esquema de pirâmide financeira que movimentou milhões de reais, é alvo de novas atenções das autoridades brasileiras. Mesmo após cumprir parte de sua pena em regime fechado e enfrentar uma ordem judicial de retenção de passaporte, a mulher conseguiu deixar o território nacional de forma clandestina. Atualmente, ela utiliza as redes sociais para exibir uma vida de luxo e ostentação em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, ignorando as dívidas deixadas com centenas de vítimas no Brasil.

O funcionamento do esquema fraudulento

O modelo de negócio operado por Izabela Cristy e seus sócios baseava-se na captação agressiva de clientes através de uma empresa de investimentos que prometia lucros irreais de até 400% em curto prazo. Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo utilizava a imagem de sucesso da empresária para atrair novos investidores, utilizando o capital dos recém-chegados para pagar os rendimentos dos antigos, configurando o clássico esquema de pirâmide financeira. O colapso ocorreu quando o fluxo de novos aportes cessou, deixando milhares de famílias em Minas Gerais e outros estados sem o dinheiro investido.

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A fuga e o descumprimento de medidas judiciais

Após ser presa em 2022 e passar um período em uma unidade prisional, a ré obteve o benefício de responder a processos em liberdade, sob a condição estrita de não se ausentar da comarca e entregar seus documentos de viagem. No entanto, o Poder Judiciário confirmou que a saída de Izabela do país não teve autorização legal. Relatos indicam que ela teria cruzado a fronteira terrestre em direção a países vizinhos antes de embarcar para o Oriente Médio, utilizando rotas que evitassem a fiscalização da Polícia Federal nos principais aeroportos brasileiros.

Ostentação nas redes sociais e revolta das vítimas

Em suas publicações mais recentes, a brasileira aparece em hotéis cinco estrelas, restaurantes de alto custo e realizando compras em boutiques de grife em Dubai. A postura é vista por advogados das vítimas como uma afronta à Justiça e às pessoas que perderam economias de uma vida inteira no golpe. De acordo com o Ministério Público, a movimentação financeira que sustenta essa vida no exterior pode ser fruto de ativos ocultos que não foram bloqueados durante a fase inicial das investigações, quando apenas uma fração dos milhões de reais desviados foi recuperada.

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Contexto

O caso de Izabela Cristy inseriu-se em uma onda de fraudes financeiras que assolou o mercado brasileiro entre os anos de 2019 e 2021, período em que a baixa taxa de juros levou muitos cidadãos a buscarem alternativas de investimento mais rentáveis. A empresa liderada por ela utilizava táticas de marketing multinível para mascarar a ilegalidade da operação, chegando a patrocinar eventos e utilizar influenciadores para validar a marca. Na época da operação policial, o rombo estimado superava a casa dos R$ 30 milhões.

Próximos passos

As autoridades brasileiras agora trabalham na atualização do alerta na Interpol para tentar viabilizar a extradição de Izabela Cristy Gomes Barros. Como o Brasil possui acordos de cooperação jurídica com os Emirados Árabes, existe a possibilidade de que ela seja detida e repatriada para cumprir o restante de suas obrigações penais e responder pelos novos crimes de evasão e descumprimento de ordem judicial. Enquanto isso, o bloqueio de bens internacionais segue como a principal esperança de ressarcimento para as vítimas do esquema.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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