Pit bull é resgatado após oito meses acorrentado e abandonado em imóvel
Cão apresentava sinais severos de desnutrição e ferimentos pelo corpo. Tutor é investigado por maus-tratos após laudo do IML confirmar omissão crônica de cuidados.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 01 de novembro de 2026 às 07:093 min de leitura

Ação policial interrompe ciclo de violência contra animal que sobrevivia apenas com auxílio de moradores da região.
Um cão da raça Pit bull foi resgatado em condições degradantes após passar pelo menos oito meses vivendo acorrentado em um imóvel. A operação, realizada após denúncias, revelou que o animal apresentava ferimentos graves, extrema magreza e sinais evidentes de negligência. O caso ocorreu nesta semana e mobilizou autoridades locais após a constatação de que o animal dependia exclusivamente da caridade de vizinhos para não morrer de fome.
O cenário do abandono
Ao chegarem ao local, os agentes encontraram o animal em um estado de vulnerabilidade extrema. O Pit bull estava preso a uma corrente curta, o que limitava drasticamente seus movimentos e causava lesões físicas visíveis. De acordo com a Polícia Civil, o tutor do animal não residia no local e comparecia ao imóvel apenas em intervalos raros, deixando o cão sem qualquer assistência básica, como água limpa ou alimentação adequada.
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Testemunhas relataram que a situação de abandono perdurava desde o ano passado. Durante esse período, moradores das casas adjacentes tentavam minimizar o sofrimento do bicho arremessando comida por cima do muro. A perícia técnica constatou que, sem essa intervenção externa, o animal provavelmente não teria sobrevivido ao longo isolamento imposto pelo proprietário.
Laudo confirma crueldade
Após o resgate, o animal foi encaminhado para exames detalhados. Um laudo oficial emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) ratificou a gravidade da situação. O documento aponta a existência de maus-tratos, identificando lesões antigas que nunca foram tratadas, além de uma omissão crônica de cuidados que resultou em um quadro severo de desnutrição e atrofia muscular.
Os veterinários responsáveis pela avaliação inicial destacaram que o animal possui cicatrizes que indicam um histórico de sofrimento prolongado. O tutor do animal já foi identificado pelas autoridades e poderá responder criminalmente com base na Lei Sansão, que endureceu as penas para crimes de maus-tratos contra cães e gatos no Brasil.
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Contexto
A legislação brasileira avançou significativamente no combate à violência animal. Desde a promulgação da Lei 14.064/2020, a punição para quem pratica atos de abuso ou abandono contra cães e gatos passou a ser de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda. Dados das secretarias de segurança pública indicam um aumento no número de denúncias, refletindo uma maior conscientização da sociedade civil.
O crime de maus-tratos não se limita apenas à agressão física direta, mas engloba a privação de liberdade em espaços insalubres, a falta de assistência médica e a ausência de alimentação. No estado em questão, as autoridades reforçam que o canal de denúncias via 190 ou discos-denúncia específicos são fundamentais para o sucesso de resgates como o deste Pit bull.
Próximos passos
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O cão agora segue sob os cuidados de uma entidade protetora de animais, onde passará por um longo processo de reabilitação física e psicológica antes de ser colocado para adoção responsável. O inquérito policial deve ser finalizado nos próximos dias, com o encaminhamento das provas colhidas pelo IML ao Ministério Público, que decidirá pelo indiciamento formal do proprietário do imóvel.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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