Polícia Civil prende golpista que se passava por vereador de Mato Grosso

Investigação em Cuiabá revela esquema de estelionato digital onde suspeito utilizava a identidade do presidente da Câmara de Guarantã do Norte para fraudes.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 11:113 min de leitura

Polícia Civil prende golpista que se passava por vereador de Mato Grosso
Resumo em 10 segundos

Ação policial desarticula esquema de estelionato que utilizava a imagem de autoridade pública para validar transações fraudulentas em plataformas digitais.

Uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso, deflagrada nesta semana em Cuiabá, resultou na prisão de um homem suspeito de liderar um sofisticado esquema de golpes virtuais. O indivíduo, cuja identidade ainda é mantida sob sigilo para o prosseguimento das diligências, é acusado de usurpar a identidade do Presidente da Câmara Municipal de Guarantã do Norte para enganar vítimas em negociações comerciais realizadas integralmente pela internet.

O modus operandi do criminoso

De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), o suspeito criava perfis falsos em aplicativos de mensagens e redes sociais utilizando fotos e dados oficiais do parlamentar. Com a credibilidade conferida pelo cargo público da vítima de identidade, ele iniciava tratativas de compra e venda de produtos, convencendo os compradores a realizarem pagamentos antecipados ou transferências via Pix sob a promessa de entrega de mercadorias que nunca existiram.

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O uso do nome de uma autoridade política de Guarantã do Norte servia como uma espécie de selo de confiança, inibindo o receio das vítimas em concretizar os negócios. A polícia identificou que o criminoso operava a partir da capital, Cuiabá, onde foram cumpridos os mandados de prisão e de busca e apreensão. Durante a ação, os agentes apreenderam dispositivos eletrônicos e chips de celular que serão submetidos a perícia técnica pela Politec.

Impacto e identificação das vítimas

As autoridades acreditam que o número de pessoas lesadas pode ser significativamente maior do que o registrado inicialmente. O delegado responsável pelo caso afirmou que o suspeito focava em vítimas de diferentes regiões do estado, aproveitando-se da distância geográfica para dificultar a verificação imediata da veracidade das informações. O valor total do prejuízo financeiro causado pelo estelionatário ainda está sendo calculado, mas estimativas preliminares apontam para dezenas de milhares de reais movimentados ilegalmente nos últimos meses.

O monitoramento das contas bancárias utilizadas para o recebimento dos valores foi fundamental para localizar o paradeiro do investigado. A Justiça de Mato Grosso autorizou a quebra do sigilo de dados, permitindo que os investigadores rastreassem a origem das conexões de internet utilizadas para gerenciar os perfis falsos. O material coletado na residência do suspeito, em um bairro de classe média em Cuiabá, reforça a tese de que ele atuava de forma profissional no crime cibernético.

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Contexto

O crime de estelionato mediante fraude eletrônica teve um aumento expressivo em Mato Grosso nos últimos dois anos. Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT) indicam que a utilização de perfis falsos de figuras públicas é uma tendência crescente entre criminosos que buscam dar um ar de legitimidade aos golpes. Casos envolvendo nomes de prefeitos, secretários e agora vereadores têm se tornado comuns, exigindo maior cautela da população em transações digitais.

Em 2023, a legislação brasileira tornou as penas para esse tipo de crime mais severas, especialmente quando há o uso de redes sociais ou dispositivos digitais para induzir a vítima ao erro. O crime de falsa identidade, somado ao estelionato qualificado, pode resultar em penas que ultrapassam os 8 anos de reclusão, além de multas pesadas para os condenados.

Próximos passos

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O suspeito foi encaminhado para uma unidade prisional em Cuiabá e aguarda a audiência de custódia. A Polícia Civil agora trabalha para identificar possíveis cúmplices que poderiam estar atuando como "laranjas", emprestando contas bancárias para a lavagem do dinheiro obtido nos golpes. O vereador que teve a imagem utilizada já prestou depoimento e colabora com as autoridades para alertar a população sobre o uso indevido de seu nome.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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