Polícia

Polícia do Rio desarticula quadrilha que desviava remédios contra o câncer

Esquema criminoso movimentou R$ 30 milhões em um ano, revendendo medicamentos de alto custo roubados para hospitais em quatro estados brasileiros.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 20:393 min de leitura

Polícia do Rio desarticula quadrilha que desviava remédios contra o câncer
Resumo em 10 segundos

Operação policial revela esquema interestadual de receptação e venda ilegal de fármacos oncológicos de alta complexidade.

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou uma operação estratégica para desmantelar uma organização criminosa especializada no roubo e na revenda de medicamentos oncológicos. O grupo, que possuía ramificações em quatro estados brasileiros, é acusado de subtrair remédios de alto custo e reinseri-los no mercado formal, abastecendo unidades de saúde e farmácias com produtos de origem ilícita. Segundo as investigações, o prejuízo estimado e a movimentação financeira do bando superam a marca de R$ 30 milhões no período de apenas doze meses.

O funcionamento da organização criminosa

O esquema operava de forma sofisticada, dividindo-se entre o braço operacional, responsável pelos assaltos a cargas, e o núcleo administrativo, que cuidava da lavagem de dinheiro e da falsificação de notas fiscais. De acordo com a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), os criminosos monitoravam o transporte de fármacos caros, como os utilizados em tratamentos de quimioterapia e imunoterapia, realizando abordagens violentas em rodovias federais. Após o roubo, a mercadoria era armazenada em galpões sem o controle de temperatura exigido pelos fabricantes, o que coloca em risco direto a vida dos pacientes que eventualmente utilizaram esses compostos.

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A logística da revenda ilegal

Para dar aparência de legalidade aos produtos, a quadrilha utilizava empresas de fachada que emitiam documentação fraudulenta. Esses medicamentos eram então oferecidos a hospitais e clínicas particulares por preços ligeiramente abaixo do valor de mercado, atraindo compradores que ignoravam a procedência do material. A investigação aponta que a rede de distribuição alcançava os estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, além do Rio de Janeiro. Em alguns casos, os lotes eram vendidos para instituições que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o alcance do dano ao erário público e à saúde coletiva.

Ações das autoridades e prisões

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os agentes federais e civis localizaram centenas de caixas de remédios sem comprovação de origem. A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de contas bancárias vinculadas aos CPFs dos líderes do grupo, além do sequestro de bens de luxo adquiridos com o lucro do crime. Conforme nota oficial da Secretaria de Segurança Pública, os envolvidos responderão pelos crimes de organização criminosa, receptação qualificada e crime contra a saúde pública, cujas penas somadas podem ultrapassar 15 anos de reclusão.

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Contexto

O roubo de medicamentos de alto custo tornou-se uma das modalidades mais rentáveis para o crime organizado no Brasil devido ao valor agregado das substâncias. Uma única ampola de tratamento contra o câncer pode custar entre R$ 10 mil e R$ 50 mil, facilitando o transporte de grandes fortunas em pequenos volumes. A falta de um sistema de rastreabilidade ponta a ponta em toda a cadeia logística nacional é apontada por especialistas como uma das brechas que permitem que produtos roubados retornem às prateleiras de estabelecimentos licenciados.

O que esperar

As investigações agora entram em uma nova fase para identificar se gestores hospitalares tinham conhecimento da origem criminosa dos insumos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve ser acionada para realizar a auditoria dos lotes apreendidos e emitir alertas sanitários para as unidades que adquiriram produtos das empresas investigadas. A expectativa é que novas prisões ocorram nos próximos 30 dias, à medida que o material apreendido nos computadores e celulares dos suspeitos seja periciado pelos investigadores.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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