Polícia

Polícia prende operador financeiro ligado a ex-deputado e facção no Rio

Leandro Ferreira Marçal foi detido no Rio de Janeiro sob acusação de gerir recursos ilícitos para o ex-parlamentar TH Jóias e a maior facção criminosa do estado.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 13:213 min de leitura

Polícia prende operador financeiro ligado a ex-deputado e facção no Rio
Resumo em 10 segundos

Investigações apontam que assessor parlamentar utilizava cargo público para movimentar altas quantias em espécie destinadas ao crime organizado.

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro efetuou, nesta semana, a prisão de Leandro Ferreira Marçal, apontado como o principal operador financeiro de um esquema que interligava a política fluminense à cúpula do Comando Vermelho. O suspeito, que possuía condenação por organização criminosa, foi localizado por agentes de inteligência em uma operação que visa desarticular o braço financeiro de lideranças ligadas ao ex-deputado estadual TH Jóias.

O esquema de transporte de valores

Segundo o inquérito conduzido pelas autoridades fluminenses, Leandro Ferreira Marçal aproveitava-se da livre circulação e das prerrogativas conferidas pelo cargo de assessor parlamentar para transitar com vultosas somas de dinheiro sem despertar suspeitas. O esquema consistia no recolhimento de valores em pontos estratégicos da Região Metropolitana do Rio e no transporte desses montantes para abastecer as atividades do tráfico de drogas em comunidades dominadas pela facção.

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Os investigadores detalharam que a função de Marçal era estratégica, servindo como uma ponte logística entre o setor político e a estrutura criminosa. A utilização de veículos oficiais ou credenciados pela Assembleia Legislativa era uma das táticas investigadas para burlar possíveis fiscalizações e garantir que o fluxo de caixa do crime organizado não sofresse interrupções. Estima-se que milhões de reais tenham sido movimentados sob essa modalidade nos últimos anos.

Conexão com a cúpula do crime

As evidências coletadas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) indicam que o operador mantinha contato direto com lideranças de alta periculosidade. O elo com o ex-deputado Thiago de Souza Aguiar, conhecido como TH Jóias, é considerado central para a compreensão de como a facção buscava infiltração em esferas institucionais. A prisão de Leandro Ferreira Marçal é vista como um golpe duro na estrutura de lavagem de dinheiro que sustenta o poder bélico do tráfico no Rio de Janeiro.

A condenação anterior de Marçal já sinalizava sua periculosidade e envolvimento com o crime de colarinho branco e o tráfico de entorpecentes. Com a nova detenção, a polícia espera colher depoimentos que revelem outros nomes envolvidos no aparelhamento de gabinetes para fins ilícitos. O monitoramento do suspeito durou meses e contou com interceptações e vigilância de campo para flagrar o momento exato da movimentação financeira.

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Contexto

O cenário político do Rio de Janeiro tem sido frequentemente abalado por investigações que revelam a simbiose entre parlamentares e grupos criminosos. O caso de TH Jóias tornou-se emblemático por ilustrar como o prestígio político e a atividade empresarial podem ser utilizados como fachada para a lavagem de dinheiro e o fortalecimento de facções. Desde 2020, diversas operações tentam asfixiar o patrimônio desses grupos, que utilizam empresas de fachada e assessores de confiança para ocultar a origem do capital.

A prisão de operadores financeiros como Leandro Ferreira Marçal faz parte de uma nova diretriz de segurança pública que foca no estrangulamento econômico das organizações. Em vez de focar apenas no confronto em favelas, as autoridades buscam atingir os responsáveis pela custódia e distribuição dos dividendos gerados pelo comércio de drogas e armas, que muitas vezes circulam em áreas nobres da capital.

O que esperar

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Após a formalização da prisão, Leandro Ferreira Marçal será encaminhado ao sistema prisional, onde deverá cumprir a pena à qual foi condenado, além de responder pelos novos indícios de crime revelados nesta fase da investigação. O Ministério Público deve solicitar a quebra de sigilo bancário e fiscal de outros assessores ligados ao gabinete do ex-deputado para verificar se a prática de transporte de valores era uma conduta generalizada na estrutura de apoio do antigo parlamentar.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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