Primeiro porco clonado para transplantes no Brasil morre em SP

Animal desenvolvido em Piracicaba para xenotransplante será exposto no Museu de Zoologia da USP após interrupção de projeto por falta de verbas federais.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 17:413 min de leitura

Primeiro porco clonado para transplantes no Brasil morre em SP
Resumo em 10 segundos

Pioneiro em pesquisas de xenotransplante no país, animal teve vida encerrada precocemente devido ao esgotamento de recursos financeiros para o projeto.

O primeiro porco clonado do Brasil com modificações genéticas voltadas ao transplante de órgãos para humanos morreu recentemente em Piracicaba, no interior de São Paulo. O animal, que nasceu em abril de 2026, era o pilar central de um estudo revolucionário liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Apesar de apresentar saúde plena e atingir todos os marcos biológicos previstos pelos cientistas, o espécime teve seu ciclo interrompido não por falhas clínicas, mas pela ausência de verbas para a manutenção da infraestrutura de isolamento e pesquisa.

O encerramento da fase experimental

O projeto, que colocava o Brasil no seleto grupo de nações capazes de desenvolver tecnologia para o xenotransplante, enfrentava dificuldades orçamentárias severas nos últimos meses. Segundo a equipe de pesquisadores da USP, o suíno foi mantido em um ambiente de bioassepsia rigorosa, o que exige custos elevados de operação e filtragem de ar. Sem novos aportes financeiros de órgãos de fomento, a instituição optou pelo sacrifício humanitário do animal, seguindo protocolos éticos, uma vez que não havia condições de manter o padrão de segurança exigido pela Vigilância Sanitária.

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Durante sua vida, o animal serviu como prova de conceito fundamental para a medicina nacional. Os cientistas realizaram o desligamento de três genes que causam a rejeição imediata de órgãos suínos em seres humanos, além da inserção de dois genes humanos para controlar a coagulação sanguínea. Os dados coletados até o momento da morte confirmam que a técnica de clonagem por transferência nuclear foi bem-sucedida, abrindo caminho para que futuras gerações de animais possam, eventualmente, suprir a fila de transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS).

Destino científico e educacional

Com o fim das atividades biológicas, o corpo do animal não será descartado. A equipe técnica confirmou que o porco será preservado e passará a integrar o acervo do Museu de Zoologia da USP, localizado na capital paulista. A exposição servirá como um registro histórico do avanço da biotecnologia brasileira e como ferramenta educativa sobre a engenharia genética. A taxidermia e preparação do corpo devem levar alguns meses antes que o público possa ver de perto o resultado da primeira clonagem desse tipo realizada em solo brasileiro.

Contexto

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A crise no financiamento de pesquisas de ponta no Brasil tem afetado diversos laboratórios de excelência. O projeto de xenotransplante da USP visava reduzir o tempo de espera por rins e corações, que hoje conta com milhares de pacientes cadastrados na lista nacional. Países como os Estados Unidos já realizaram transplantes experimentais de rins de porcos geneticamente modificados em humanos, obtendo resultados promissores que o Brasil pretendia replicar e aprimorar de forma autônoma.

O uso de suínos na medicina é preferido devido à semelhança anatômica e fisiológica dos órgãos com os dos humanos. A clonagem em Piracicaba representou um salto tecnológico de duas décadas de estudo concentradas em um único laboratório, demonstrando que a ciência nacional possui a expertise necessária, dependendo agora exclusivamente de estabilidade orçamentária para avançar para testes clínicos.

O que esperar

Os pesquisadores agora se concentram na análise final dos tecidos coletados para publicar os resultados em revistas científicas internacionais. A expectativa é que, com a visibilidade da morte do animal e a futura exposição no Museu de Zoologia, novas parcerias com a iniciativa privada ou novos editais do Governo Federal possam ser abertos para retomar a criação de uma nova linhagem de suínos doadores ainda na próxima década.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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