Produção de mel em Roraima despenca após seca severa e incêndios

Apicultores de Roraima enfrentam crise histórica com morte de enxames e perda de lavouras. Governo estadual decreta emergência para conter o avanço das chamas.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 01 de novembro de 2026 às 06:003 min de leitura

Produção de mel em Roraima despenca após seca severa e incêndios
Resumo em 10 segundos

Crise climática atinge apicultura no extremo Norte com destruição de colmeias e perdas econômicas no campo.

A seca prolongada e o avanço descontrolado de queimadas em Roraima provocaram uma queda drástica na colheita de mel durante o primeiro semestre de 2024. O fenômeno, intensificado pelo rigoroso período de estiagem, resultou na morte em massa de abelhas e na destruição de pastos apícolas, afetando diretamente centenas de famílias que dependem da atividade em municípios como Boa Vista, Cantá e Mucajaí.

Impacto na biodiversidade e economia local

O cenário é desolador para os produtores rurais que viram o fogo consumir áreas de reserva e plantações inteiras. De acordo com dados preliminares de cooperativas locais, a redução na produtividade pode ultrapassar 60% em comparação ao mesmo período do ano passado. A falta de umidade e as altas temperaturas impedem a floração das espécies nativas, principal fonte de alimento para as abelhas, o que força o abandono das colmeias ou a morte dos enxames por desidratação e fome.

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Além da perda direta do mel, os apicultores relatam prejuízos acumulados com a infraestrutura das propriedades. Caixas de madeira, equipamentos de proteção e cercas foram reduzidos a cinzas em diversas localidades. O Governo de Roraima já oficializou o decreto de emergência em várias regiões do estado, buscando facilitar o acesso a recursos federais e mobilizar equipes de combate ao fogo para tentar salvar o que resta da produção agrícola e da vegetação nativa.

Resposta das autoridades e produtores

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar e brigadistas do Ibama trabalham em turnos ininterruptos para conter as frentes de incêndio que ameaçam não apenas a apicultura, mas também grandes lavouras de grãos e a pecuária. A fumaça densa que cobre o estado também interfere no comportamento das abelhas, tornando-as mais agressivas ou desorientadas, o que dificulta o manejo técnico por parte dos profissionais do campo.

Especialistas do setor agrícola alertam que a recuperação da produção não será imediata. Mesmo com o retorno das chuvas, a recomposição da flora apícola leva tempo, e muitos produtores precisarão investir na compra de novas rainhas e no repovoamento das caixas. O impacto financeiro é sentido no preço final ao consumidor, que já percebe a escassez do produto nas prateleiras e o aumento do valor do litro do mel no mercado regional.

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Contexto

O estado de Roraima atravessa um dos períodos mais secos da última década, influenciado por padrões climáticos que reduziram o volume de precipitação em toda a bacia amazônica. Historicamente, o estado se destaca pela produção de mel de alta qualidade, exportando parte da safra para outros estados brasileiros, mas a vulnerabilidade climática expôs a fragilidade do setor diante de eventos extremos.

Em anos anteriores, a apicultura era vista como uma alternativa sustentável e de baixo impacto ambiental, capaz de conviver harmonicamente com a floresta em pé. No entanto, a combinação de baixa umidade do ar e o uso indiscriminado do fogo para limpeza de pastagens vizinhas criou um ambiente hostil que ameaça a sobrevivência das polinizadoras, essenciais para o equilíbrio de todo o ecossistema local.

O que esperar

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Os próximos passos envolvem a elaboração de um plano de recuperação econômica para os agricultores atingidos. As autoridades estaduais planejam a distribuição de kits de reestruturação e a abertura de linhas de crédito emergenciais via Desenvolve Roraima. A expectativa é que, com o controle dos focos de incêndio e o início do período chuvoso, a natureza inicie seu processo de regeneração, permitindo que a apicultura retome seu espaço como pilar da economia verde no estado.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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