Produção de shimeji ganha força em São Paulo com colheitas diárias
Estado de São Paulo concentra 90% da produção nacional de cogumelos, com destaque para a região de Itapetininga e o cultivo intensivo de shimeji.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 10 de agosto de 2026 às 07:103 min de leitura

Polo produtor no interior paulista impulsiona o mercado de fungicultura com técnicas de cultivo que garantem oferta constante o ano todo.
A região de Itapetininga, no interior de São Paulo, consolidou-se como um dos principais eixos da fungicultura brasileira, aproveitando a alta demanda pelo cogumelo shimeji. Com um ciclo de produção dinâmico, os produtores locais conseguem realizar colheitas diárias que se estendem por até 60 dias, atendendo a um mercado consumidor que não para de crescer nos grandes centros urbanos e na gastronomia asiática.
A delicadeza do manejo técnico
O cultivo do shimeji exige um controle rigoroso de variáveis ambientais, sendo considerado uma das atividades mais sensíveis da agroindústria. De acordo com especialistas do setor, a temperatura deve ser mantida entre 15°C e 20°C, com umidade relativa do ar próxima a 80%. Qualquer oscilação brusca nesses índices pode comprometer toda a safra, resultando em perdas financeiras significativas para as famílias que dependem da atividade em Itapetininga e cidades vizinhas.
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Para garantir a produtividade, os fungicultores utilizam substratos específicos, geralmente compostos por resíduos agrícolas como serragem ou palha de arroz, devidamente esterilizados. Após a fase de incubação, o cogumelo começa a brotar em blocos, permitindo que o agricultor retire os buquês de shimeji todas as manhãs. Esse ritmo intenso exige mão de obra qualificada e uma logística ágil para que o produto chegue fresco às prateleiras dos supermercados e restaurantes em menos de 24 horas.
São Paulo na liderança nacional
O protagonismo paulista no setor é incontestável. Atualmente, o estado de São Paulo é responsável por 90% da produção nacional de cogumelos, englobando variedades como o paris, o shitake e o shimeji. A concentração da produção em solo paulista deve-se à proximidade com o maior mercado consumidor do país e à infraestrutura técnica oferecida por institutos de pesquisa e cooperativas regionais. O setor movimenta milhões de reais anualmente e gera milhares de empregos diretos no campo.
Além do fator econômico, a migração de consumidores para dietas com menor ingestão de carne animal impulsionou o consumo do fungo. O shimeji destaca-se por ser rico em proteínas, fibras e vitaminas do complexo B, tornando-se o substituto ideal em pratos vegetarianos e veganos. Esse novo comportamento alimentar garantiu que a produção em Itapetininga mantivesse um crescimento constante mesmo em períodos de instabilidade econômica em outros setores do agronegócio.
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Contexto
A fungicultura no Brasil teve início de forma artesanal, mas profissionalizou-se rapidamente nas últimas duas décadas. O que antes era uma produção de nicho voltada para colônias asiáticas, hoje integra a cesta básica de muitos brasileiros que buscam uma alimentação mais saudável. A região de Sorocaba e Itapetininga tornou-se o epicentro dessa transformação tecnológica, investindo em câmaras frias automatizadas e sistemas de irrigação por nebulização.
Historicamente, o consumo per capita de cogumelos no país ainda é baixo se comparado à Europa ou Ásia, mas o potencial de expansão é o que atrai novos investidores. O modelo de negócio baseado no shimeji é atrativo justamente pelo retorno rápido, visto que o ciclo total entre o plantio e o final da colheita é relativamente curto, permitindo múltiplas rotações de estoque ao longo do ano civil.
O que esperar
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O setor projeta um avanço na exportação e na diversificação de subprodutos, como cogumelos desidratados e conservas premium. Para os produtores de São Paulo, o desafio agora é reduzir os custos de energia elétrica, essenciais para manter o resfriamento das estufas, e investir em embalagens sustentáveis que preservem a vida útil do shimeji por mais tempo. A expectativa é que a produção paulista cresça mais 15% até o final do próximo ciclo produtivo.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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