Produtor de MG dobra oferta de leite após confinar vacas em camas orgânicas

Adoção do sistema Compost Barn em Divinópolis eleva produtividade e bem-estar animal, transformando a gestão leiteira no interior de Minas Gerais.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 08:283 min de leitura

Produtor de MG dobra oferta de leite após confinar vacas em camas orgânicas
Resumo em 10 segundos

Tecnologia de confinamento com material orgânico revoluciona produtividade e garante conforto térmico para rebanho no interior mineiro.

Uma mudança radical no manejo do gado leiteiro em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, resultou em um salto impressionante na eficiência produtiva. Há cerca de quatro anos, um produtor local decidiu retirar os animais das pastagens tradicionais para implementar o sistema Compost Barn. Atualmente, um plantel de 90 vacas em lactação vive integralmente em um galpão estruturado com camas de materiais orgânicos, o que permitiu que a produção de leite mais do que dobrasse no período.

A transição para o confinamento inteligente

O projeto foca no bem-estar animal como pilar central para o desempenho econômico. Ao abandonar o modelo extensivo, o pecuarista investiu em um galpão coberto onde o solo é forrado por uma mistura de serragem, casca de amendoim e palha. Essa composição forma uma camada macia e seca, que passa por um processo de compostagem constante. Segundo especialistas em zootecnia, a manutenção da temperatura ideal e a redução do estresse físico das vacas são os principais motores para o aumento da lactação diária.

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Nesse ambiente controlado, o rebanho não sofre com as variações climáticas bruscas, como o sol forte ou chuvas intensas, que costumam desgastar a saúde dos animais no pasto. O sistema exige um manejo rigoroso, com a revolvimento da cama duas vezes ao dia para garantir a oxigenação e a decomposição correta dos dejetos. Esse cuidado evita a proliferação de bactérias e doenças de casco, problemas comuns em fazendas que operam no sistema tradicional de Minas Gerais.

Impactos na produção e qualidade

Os resultados numéricos comprovam a viabilidade do investimento. Desde a migração para o galpão, a média de litros por animal apresentou um crescimento vertical. Além da quantidade, a qualidade do leite também foi otimizada, apresentando menores índices de células somáticas, o que indica um rebanho mais saudável. O produtor destaca que o controle nutricional tornou-se mais preciso, uma vez que a alimentação é fornecida diretamente no cocho, sem que a vaca precise gastar energia caminhando em busca de alimento.

Outro ponto relevante é o reaproveitamento de resíduos. O material utilizado na cama, após o ciclo de uso, transforma-se em um adubo orgânico de alta qualidade. Esse subproduto é utilizado para fertilizar as lavouras de milho e soro da própria propriedade, fechando um ciclo de sustentabilidade e reduzindo drasticamente os custos com fertilizantes químicos. A eficiência operacional permitiu que a fazenda se tornasse uma referência tecnológica na região de Divinópolis.

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Contexto

O sistema Compost Barn surgiu originalmente nos Estados Unidos na década de 1980 e ganhou força no Brasil nos últimos dez anos, especialmente em estados com forte tradição leiteira como Minas Gerais e Paraná. A técnica visa solucionar o gargalo da baixa produtividade em pequenas e médias áreas, permitindo uma maior densidade de animais por metro quadrado com alto nível de higiene.

Historicamente, a pecuária leiteira mineira enfrenta desafios relacionados à sazonalidade das pastagens. Durante o período de seca, a oferta de alimento cai drasticamente, prejudicando o faturamento do produtor. Modelos de confinamento como o adotado em Divinópolis eliminam essa dependência do clima, garantindo uma entrega constante para os laticínios durante os 12 meses do ano.

Próximos passos

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Com o sucesso da operação, o planejamento para os próximos anos inclui a ampliação do galpão para comportar novas matrizes. A expectativa é que o uso de sensores de monitoramento e sistemas de ventilação automatizados elevem ainda mais o patamar tecnológico da fazenda. O caso serve de modelo para outros pecuaristas mineiros que buscam profissionalizar a gestão e garantir a sucessão familiar no campo através da lucratividade.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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