Professora é assassinada por ex-companheiro após sair de igreja em SP

Valdirene Vaz Clemente já havia registrado denúncias por ameaça e lesão corporal contra o agressor, que tirou a própria vida após cometer o feminicídio.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 06:443 min de leitura

Professora é assassinada por ex-companheiro após sair de igreja em SP
Resumo em 10 segundos

Vítima de 42 anos foi emboscada pelo agressor no momento em que deixava um templo religioso no interior paulista.

A educadora Valdirene Vaz Clemente, de 42 anos, foi brutalmente assassinada na noite deste domingo em Cândido Mota, no interior de São Paulo. O crime ocorreu no momento em que a vítima saía de um culto religioso. De acordo com informações da Polícia Militar, o autor dos disparos foi o ex-companheiro da vítima, Wanderlei Joaquim de Souza, que não aceitava o fim do relacionamento e possuía um histórico de violência doméstica registrado pelas autoridades.

Dinâmica do ataque fatal

Segundo o relatório preliminar da Polícia Civil, Valdirene foi surpreendida pelo criminoso enquanto caminhava em direção ao seu veículo. Testemunhas relataram momentos de pânico quando Wanderlei sacou uma arma de fogo e efetuou pelo menos três disparos contra a professora. Os projéteis atingiram a região das costas e da nuca da vítima, que não teve qualquer chance de defesa e morreu ainda no local, antes da chegada das equipes de resgate do Corpo de Bombeiros.

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Logo após consumar o feminicídio, o agressor utilizou a mesma arma para atentar contra a própria vida. Wanderlei Joaquim de Souza atirou contra a própria cabeça e seu corpo foi encontrado a poucos metros da ex-companheira. A área foi isolada pela Polícia Científica para a realização da perícia técnica, que recolheu cápsulas deflagradas e a arma utilizada no crime para análise detalhada no Instituto de Criminalística.

Histórico de violência e denúncias

O caso ganha contornos ainda mais trágicos diante da revelação de que a professora já buscava proteção do Estado. Registros oficiais da Delegacia de Polícia confirmam que Valdirene havia formalizado denúncias anteriores contra o ex-parceiro. Entre as queixas registradas pela vítima estavam os crimes de ameaça e lesão corporal, evidenciando um ciclo de violência que perdurava há meses. Mesmo com o conhecimento das autoridades sobre o comportamento agressivo de Wanderlei, a escalada da violência culminou no desfecho fatal deste final de semana.

Amigos e familiares relataram aos investigadores que a rotina da professora era marcada pelo medo constante. A vítima tentava manter a discrição e buscava apoio em sua comunidade religiosa, local onde o agressor decidiu realizar a emboscada. A Polícia Civil de São Paulo agora trabalha para ouvir testemunhas que presenciaram a aproximação do homem e checar se houve algum tipo de descumprimento de medida protetiva nas semanas que antecederam o episódio.

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Contexto

O assassinato de Valdirene Vaz Clemente insere-se em uma estatística alarmante de violência de gênero no Brasil. Somente no primeiro semestre de 2023, o estado de São Paulo registrou um aumento significativo nos casos de feminicídio, muitas vezes cometidos por parceiros ou ex-parceiros que utilizam armas de fogo. A legislação brasileira, por meio da Lei Maria da Penha, prevê mecanismos de urgência, mas especialistas em segurança pública alertam para a dificuldade de monitoramento de agressores que ignoram ordens judiciais.

A vítima era uma profissional respeitada na rede de ensino da região, e sua morte gerou uma onda de consternação em Cândido Mota e cidades vizinhas. Instituições de ensino e grupos de defesa dos direitos das mulheres planejam homenagens e manifestações para cobrar maior rigor no cumprimento de protocolos de segurança para mulheres que, como Valdirene, já possuem boletins de ocorrência registrados contra seus algozes.

Próximos passos

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O inquérito policial será concluído nos próximos dias pela Delegacia da Mulher, que aguarda os laudos necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML). Como o autor do crime morreu no local, a punibilidade deve ser extinta, mas a investigação busca apurar se houve a participação de terceiros ou se alguém facilitou o acesso de Wanderlei à arma utilizada no ataque. O enterro da professora está previsto para ocorrer sob forte comoção de alunos e colegas de profissão.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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