RN cria comitê após aumento de 60% nos casos de intoxicação por ciguatera

Governo do Rio Grande do Norte mobiliza força-tarefa com pesquisadores e setor pesqueiro para frear surto de doença causada pelo consumo de peixes contaminados.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 20 de julho de 2026 às 14:013 min de leitura

RN cria comitê após aumento de 60% nos casos de intoxicação por ciguatera
Resumo em 10 segundos

Ação conjunta entre governo e pesquisadores busca conter o avanço da doença causada por toxinas em peixes de recife e proteger a economia local.

O Governo do Rio Grande do Norte oficializou a criação de um comitê interdisciplinar para monitorar e combater o avanço da ciguatera, uma intoxicação alimentar grave, após o estado registrar um salto de 60% nas notificações da doença. O grupo de trabalho, composto por especialistas em saúde pública e vigilância sanitária, iniciou as atividades nesta semana em Natal para estabelecer protocolos de diagnóstico e orientações para a cadeia produtiva da pesca.

Estratégia de monitoramento e contenção

A nova força-tarefa reúne representantes do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), da Secretaria Estadual de Saúde e de universidades federais. O objetivo central é mapear as áreas de maior incidência da toxina e identificar quais espécies de peixes estão apresentando maiores riscos ao consumidor final. Segundo a Secretaria de Saúde do RN, a alta nos indicadores exige uma resposta rápida para evitar um colapso no sistema hospitalar das cidades litorâneas e garantir a segurança alimentar da população potiguar.

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Impactos na saúde e na economia pesqueira

A ciguatera é provocada por toxinas produzidas por microalgas que se acumulam em peixes que vivem em regiões de corais, como o barracuda, o cavala e o mero. Os sintomas em humanos incluem distúrbios gastrointestinais severos e sequelas neurológicas, como a inversão térmica, onde o paciente sente frio ao tocar em objetos quentes. O comitê técnico ressalta que o impacto vai além da saúde pública, atingindo diretamente o setor pesqueiro, que movimenta milhões de reais anualmente no estado e agora enfrenta o desafio de manter a confiança do mercado consumidor.

Medidas educativas e preventivas

Entre as primeiras ações definidas pelo colegiado está a elaboração de cartilhas educativas destinadas a pescadores artesanais e donos de restaurantes. A intenção é que os profissionais consigam identificar peixes capturados em zonas de risco e evitem a comercialização de exemplares de grande porte, que tendem a concentrar uma carga tóxica mais elevada. De acordo com os pesquisadores da UFRN, o monitoramento constante das condições climáticas e da temperatura da água também será fundamental, já que o aquecimento dos oceanos pode acelerar a proliferação das algas causadoras do problema.

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Contexto

O aumento de 60% nas intoxicações no Rio Grande do Norte segue uma tendência observada em outros estados do Nordeste, onde as alterações ambientais nos recifes de coral têm sido frequentes. Historicamente, a ciguatera era considerada uma doença rara na região, mas o crescimento desordenado de microalgas tóxicas transformou o cenário em uma questão de vigilância epidemiológica prioritária para as autoridades brasileiras nos últimos dois anos.

Próximos passos

Nas próximas semanas, o comitê deve apresentar um plano de contingência que inclui a capacitação de médicos da rede pública para o reconhecimento imediato dos sintomas. Além disso, serão intensificadas as coletas de amostras de água e sedimentos em pontos estratégicos do litoral potiguar para prever novos surtos e proteger tanto os turistas quanto os moradores locais que dependem da proteína marinha em sua dieta diária.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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