Santa Catarina lança primeira produção nacional de ostras em conserva
Iniciativa pioneira em Florianópolis une tecnologia da UFSC e maricultores para criar ostras em lata, visando o mercado turístico e a segurança alimentar.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 06:003 min de leitura

Inovação no setor de maricultura catarinense promete transformar o consumo de moluscos e expandir o mercado para além do litoral.
A cidade de Florianópolis, reconhecida como a capital nacional da ostra, acaba de dar um passo histórico com o lançamento da primeira produção brasileira de ostras em conserva. O projeto, que envolve produtores locais e suporte técnico especializado, visa oferecer uma alternativa duradoura ao produto in natura, permitindo que o molusco seja transportado por longas distâncias sem perder suas propriedades nutricionais e gastronômicas. A novidade foi apresentada nesta semana como uma solução estratégica para o setor de maricultura do estado.
Tecnologia e segurança alimentar
O desenvolvimento do produto contou com a consultoria fundamental de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que trabalharam no aprimoramento dos processos de envase e esterilização. O principal desafio superado foi garantir a segurança sanitária, uma vez que moluscos são alimentos extremamente sensíveis. De acordo com os técnicos envolvidos, a técnica de enlatamento permite que a ostra seja mantida em temperatura ambiente por até dois anos, eliminando a necessidade de refrigeração constante e facilitando a logística de distribuição para outros estados e países.
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Estabilidade para o produtor local
Para os maricultores da Ilha de Santa Catarina, a industrialização representa uma blindagem contra as instabilidades climáticas e biológicas que frequentemente afetam a colheita. Fenômenos como a maré vermelha, que podem paralisar a comercialização de produtos frescos por semanas, causam prejuízos severos à economia local. Com a opção da conserva, o excedente de produção em períodos favoráveis pode ser processado e estocado, garantindo renda constante para as famílias que dependem do mar e estabilizando o preço final para o consumidor ao longo de todo o ano de 2024.
Foco no mercado turístico
Além do benefício logístico, o novo formato de venda mira diretamente no setor turístico da região. Atualmente, visitantes que frequentam o Ribeirão da Ilha ou o Santo Antônio de Lisboa encontram dificuldades para levar o sabor da culinária manezinha para casa devido à perecibilidade do produto vivo. As latas de ostras, temperadas com especiarias ou em óleo, funcionam como um souvenir gastronômico de alto valor agregado. A expectativa é que o produto esteja presente nas prateleiras de aeroportos, empórios de luxo e lojas de conveniência ainda neste segundo semestre.
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Contexto
O estado de Santa Catarina é responsável por cerca de 95% da produção de ostras no Brasil, consolidando-se como um polo de excelência em aquicultura. Apesar da liderança, o setor ainda enfrentava o gargalo da comercialização fora do eixo litorâneo. Historicamente, a dependência do transporte aéreo e de cadeias de frio rigorosas limitava o alcance do molusco catarinense aos grandes restaurantes de São Paulo e Rio de Janeiro, encarecendo o produto final.
O que esperar
Com a validação dos protocolos sanitários e o início da distribuição em escala comercial, o próximo passo é a diversificação de sabores e a busca por certificações internacionais para exportação. O setor projeta que, em até cinco anos, a versão processada possa representar uma parcela significativa do faturamento bruto da maricultura catarinense, abrindo portas para novos investimentos em tecnologia de alimentos no Sul do Brasil.
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