Seca histórica reduz produção de abacaxi em 80% no interior do Amapá

Produtores de Porto Grande enfrentam perdas devastadoras na safra de abacaxi devido à estiagem severa. Colônia Agrícola do Matapi pede socorro e infraestrutura.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 01 de novembro de 2026 às 09:023 min de leitura

Seca histórica reduz produção de abacaxi em 80% no interior do Amapá
Resumo em 10 segundos

Fenômeno climático extremo dizima plantações na Colônia Agrícola do Matapi e gera prejuízos milionários para a economia regional.

Uma estiagem sem precedentes está devastando o cinturão agrícola de Porto Grande, município localizado a cerca de 100 quilômetros da capital Macapá. A falta de chuvas regulares e o calor intenso provocaram uma queda drástica de 80% na produção de abacaxi, principal motor econômico da região. Os agricultores locais, que dependem diretamente do ciclo das águas, relatam que a safra atual é uma das piores da história recente do Amapá.

Impacto nas lavouras e perdas financeiras

O cenário na Colônia Agrícola do Matapi é de desolação. Onde antes se via o verde vibrante das plantações, hoje predominam frutos queimados pelo sol e plantas atrofiadas. De acordo com lideranças rurais, a estiagem severa impediu o desenvolvimento pleno do abacaxi, resultando em frutas menores e sem valor comercial. O prejuízo financeiro atinge diretamente centenas de famílias que investiram recursos próprios e financiamentos bancários na expectativa de uma colheita recorde em 2024.

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Especialistas do setor agropecuário apontam que a temperatura do solo atingiu níveis críticos, o que acabou por "cozinhar" a raiz das plantas. Sem a umidade necessária, o ciclo de maturação foi interrompido precocemente. Em algumas propriedades, a perda foi total, deixando os trabalhadores sem alternativa de renda para os próximos meses. A crise em Porto Grande acende um alerta para o abastecimento do mercado interno amapaense, que deve registrar alta nos preços ao consumidor final nas próximas semanas.

A urgência por infraestrutura hídrica

Diante da crise, os produtores intensificaram as cobranças por medidas estruturantes junto ao Governo do Estado e à Prefeitura de Porto Grande. A principal reivindicação é a instalação imediata de poços artesianos de alta vazão e a implementação de sistemas modernos de irrigação. Atualmente, a maioria das propriedades da Colônia do Matapi ainda depende exclusivamente da água das chuvas, uma vulnerabilidade que se tornou insustentável diante das mudanças climáticas globais.

Os agricultores argumentam que a tecnologia de irrigação não é apenas uma melhoria, mas uma condição de sobrevivência para a fruticultura no Norte do Brasil. Sem o suporte técnico e a infraestrutura hídrica, o risco de abandono do campo aumenta, o que pode gerar um êxodo rural em direção a Macapá e Santana. O setor solicita também a renegociação de dívidas agrícolas e a abertura de linhas de crédito emergenciais para o replantio das áreas afetadas.

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Contexto

O município de Porto Grande é historicamente conhecido como o maior produtor de abacaxi do Amapá, sendo responsável por abastecer grande parte da região setentrional do país. O festival dedicado à fruta, tradicional no calendário local, movimenta a economia e atrai turistas, evidenciando a importância cultural e social desse cultivo para a identidade amapaense.

Nos últimos anos, o El Niño e outras anomalias climáticas têm alterado o regime de chuvas na Amazônia, prolongando os períodos de seca e intensificando o calor. Dados meteorológicos indicam que o volume de precipitação no Amapá ficou significativamente abaixo da média histórica para este semestre, agravando a situação das bacias hidrográficas que alimentam as zonas rurais.

O que esperar

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O setor produtivo aguarda agora um posicionamento oficial das secretarias de agricultura para o anúncio de um plano de contingência. A expectativa é que sejam realizados estudos de viabilidade para a perfuração de poços em pontos estratégicos da Colônia do Matapi. Enquanto as soluções definitivas não chegam, os produtores tentam salvar o que restou da lavoura, monitorando as previsões do tempo na esperança de que o retorno das chuvas possa mitigar os danos para a próxima temporada de plantio.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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