Segurança na Paraíba: Estado opera com apenas 54% do efetivo policial
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela déficit crítico na Polícia Militar da Paraíba, com apenas 2,5 agentes por cada mil habitantes.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 12:314 min de leitura

Déficit histórico na Polícia Militar paraibana expõe sobrecarga de agentes e acende alerta sobre a capacidade de policiamento ostensivo no estado.
A Paraíba enfrenta um cenário desafiador na gestão da segurança pública, operando atualmente com um contingente de 10,3 mil policiais militares na ativa. O número, revelado pelo mais recente levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, representa apenas 54,4% do efetivo previsto em lei para o estado. Na prática, a corporação atua com pouco mais da metade da força de trabalho considerada ideal para garantir a proteção da população paraibana.
O impacto dos números no cotidiano
A desproporção entre o crescimento populacional e o quadro de servidores resulta em uma média de 2,5 policiais militares para cada 1.000 habitantes. Embora o dado coloque o estado em uma posição intermediária no ranking nacional, a distância entre o quadro real e o quadro fixado por lei revela uma lacuna de quase 9 mil postos vagos. Essa vacância impacta diretamente o patrulhamento de rua e o tempo de resposta em ocorrências nas cidades do interior e na Região Metropolitana de João Pessoa.
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Especialistas apontam que a manutenção de um efetivo reduzido sobrecarrega os profissionais que estão na ativa, exigindo escalas de plantão mais rigorosas e limitando a presença preventiva em áreas de maior vulnerabilidade. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a situação na Paraíba reflete um problema estrutural observado em diversas unidades da federação, onde a reposição de pessoal via concursos públicos não acompanha o ritmo de aposentadorias e afastamentos de praças e oficiais.
A realidade das corporações estaduais
O diagnóstico detalhado mostra que a defasagem atinge diferentes níveis da hierarquia militar. A falta de concursos regulares e o envelhecimento da tropa são fatores que contribuem para o encolhimento do braço operacional do Estado. A Secretaria de Segurança e Defesa Social tem buscado otimizar o uso de tecnologia e inteligência para compensar o baixo número de homens nas ruas, investindo em sistemas de monitoramento por câmeras e integração de dados entre as polícias Civil e Militar.
Além do deficit na ativa, a pesquisa ressalta que o investimento em pessoal é um dos maiores gargalos fiscais dos estados brasileiros. Na Paraíba, o desafio é equilibrar a necessidade urgente de convocação de novos soldados com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O atual cenário de 10,3 mil agentes ativos é o menor registrado nos últimos anos, o que pressiona o governo estadual a acelerar cronogramas de formação para preencher as cadeiras vazias na Polícia Militar.
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Contexto
O panorama da segurança pública no Nordeste tem sido marcado por uma escalada na complexidade do crime organizado, o que exige forças policiais mais robustas e bem distribuídas. Historicamente, a Paraíba tem buscado manter índices de criminalidade sob controle através do programa Paraíba pela Paz, mas a redução progressiva do efetivo real em comparação ao previsto gera dúvidas sobre a sustentabilidade desse modelo a longo prazo.
Em âmbito nacional, o Brasil possui uma média de 2,0 PMs por mil habitantes, o que coloca a Paraíba ligeiramente acima da média do país, mas ainda muito aquém do que a própria legislação paraibana estabeleceu como meta para a segurança dos seus 4 milhões de cidadãos. A disparidade entre o previsto e o executado é um dos maiores índices registrados na região Nordeste no último ano.
Próximos passos
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A expectativa agora recai sobre os novos editais de concurso e a convocação de remanescentes para reforçar o policiamento nas divisas e grandes centros urbanos. O governo estadual deve apresentar, no próximo semestre, um plano de reestruturação de carreiras que visa diminuir a evasão de profissionais e garantir que o número de policiais militares se aproxime dos 19 mil previstos na legislação vigente.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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