Economia

Setor de máquinas rejeita tarifaço e cobra crédito para indústrias

Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defende medidas de apoio financeiro em vez de retaliações comerciais e aumento de impostos.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 11:203 min de leitura

Resumo em 10 segundos

Entidade setorial manifesta preocupação com custo de produção e sugere fortalecimento de linhas de financiamento para compensar perdas no mercado internacional.

A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) confirmou nesta semana que não apoia a política de reciprocidade tarifária imediata como resposta às flutuações do mercado global. A organização, que representa um dos pilares do PIB industrial brasileiro, defende que a solução para a crise de competitividade não passa pelo chamado tarifaço, mas sim pela ampliação urgente de programas de crédito subsidiado para as empresas afetadas pela concorrência estrangeira.

O impacto da política de impostos

De acordo com a diretoria da Abimaq, a imposição de barreiras tarifárias mais rígidas pode gerar um efeito cascata negativo, elevando o custo de aquisição de componentes essenciais que não possuem similares nacionais. A entidade argumenta que o Brasil precisa focar na redução do Custo Brasil em vez de isolar o mercado. Para os representantes do setor, a prioridade deve ser a manutenção do fluxo de caixa das fábricas, garantindo que o setor produtivo consiga modernizar seu parque industrial sem o peso de novos tributos de importação.

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Defesa da ampliação do crédito

A principal proposta levada ao Governo Federal envolve o fortalecimento do BNDES e de outras agências de fomento para viabilizar juros mais baixos. A indústria de máquinas alega que, com linhas de crédito mais robustas, as empresas nacionais teriam fôlego para competir em pé de igualdade com gigantes da China e da Europa. O foco seria o financiamento de capital de giro e a exportação, permitindo que a produção brasileira chegue ao exterior com preços mais agressivos, sem depender exclusivamente de protecionismo alfandegário.

Riscos para a cadeia produtiva

Especialistas da associação alertam que o aumento de tarifas de importação pode prejudicar especialmente as pequenas e médias empresas, que dependem de tecnologia externa para integrar seus produtos finais. Durante reuniões em Brasília, os conselheiros da entidade destacaram que o setor de bens de capital registrou oscilações preocupantes no último semestre, e que qualquer erro na política macroeconômica pode estagnar os investimentos previstos para 2024 e 2025. A busca por equilíbrio fiscal e incentivo direto é vista como o único caminho seguro.

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Contexto

O debate sobre o tarifaço surge em um momento de pressão de outros setores industriais que pedem proteção contra a invasão de produtos asiáticos. Historicamente, a indústria de máquinas atua como um termômetro da economia, pois reflete a intenção de investimento de todos os outros segmentos, do agronegócio à mineração. Recentemente, o governo anunciou estudos para revisar as alíquotas de diversos produtos, o que acendeu o sinal de alerta entre os fabricantes de equipamentos que utilizam insumos globais.

O que esperar

Nos próximos dias, a Abimaq deve protocolar um documento oficial junto ao Ministério da Indústria, Comércio e Serviços detalhando as necessidades de financiamento por subsegmento. A expectativa é que o governo apresente uma contraproposta que contemple a expansão de programas como o LCD (Letra de Crédito do Desenvolvimento), visando acalmar os ânimos da indústria e evitar uma escalada inflacionária nos bens de capital.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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