Sistema Cantareira registra segundo maior nível em outubro na década
Com chuvas 62% acima da média, o Sistema Cantareira atingiu 51,2% de sua capacidade em outubro, mas mantém restrições de captação para o mês de novembro.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 01 de novembro de 2026 às 01:013 min de leitura

Recuperação hídrica impulsionada por chuvas atípicas coloca reservatório em patamar confortável, mas gestão mantém cautela operacional.
O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Grande São Paulo, encerrou o mês de outubro com um desempenho hídrico expressivo, atingindo 51,2% de seu volume útil armazenado. O índice representa o segundo melhor resultado para o período nos últimos 10 anos, ficando atrás apenas dos registros de 2023. O balanço positivo é reflexo direto das precipitações que atingiram a região nas últimas semanas, superando as expectativas iniciais dos meteorologistas e gestores de recursos hídricos.
Recuperação acima da média histórica
Os dados consolidados apontam que o volume de chuvas sobre a bacia do reservatório em outubro ficou 62% acima da média histórica. Esse aporte foi fundamental para reverter a tendência de queda comum durante o período de estiagem. De acordo com os órgãos de monitoramento, a entrada de frentes frias constantes no Sudeste garantiu que o nível do Cantareira subisse de forma consistente, proporcionando uma margem de segurança maior para o enfrentamento dos meses mais quentes do ano.
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Restrições de captação e faixas de operação
Apesar da melhora visível nos números, o sistema permanece enquadrado na chamada faixa de atenção. Segundo as normas vigentes estabelecidas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pelo DAEE, o limite de captação de água para o mês de novembro continua restrito. Essa medida é preventiva e visa assegurar que o estoque de água seja preservado caso o regime de chuvas sofra variações negativas no próximo trimestre, garantindo o abastecimento para milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo.
Impacto no abastecimento regional
A atual configuração do Sistema Cantareira permite um fôlego operacional para a Sabesp, que gerencia a distribuição. Com o nível atual, o risco de racionamento imediato é descartado pelas autoridades, mas o consumo consciente segue sendo recomendado. O cenário de 2024 contrasta drasticamente com os anos de crise severa, como o biênio 2014-2015, quando o reservatório operou em níveis críticos e dependeu exclusivamente do chamado volume morto para evitar o colapso do sistema.
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Contexto
Historicamente, o Sistema Cantareira é o termômetro da segurança hídrica de São Paulo. Nos últimos dez anos, o manancial enfrentou oscilações extremas devido às mudanças climáticas e períodos prolongados de seca. A recuperação registrada agora é vista como um marco de resiliência, consolidando uma tendência de estabilidade iniciada no ano passado, quando os índices voltaram a superar a marca dos 50% de forma sustentada durante a transição para o período úmido.
O que esperar
Para os próximos meses, a expectativa é que a chegada do verão consolide a recarga dos reservatórios. No entanto, o monitoramento técnico continuará rigoroso, uma vez que a manutenção da faixa de atenção exige que a retirada de água seja feita com cautela até que o volume útil ultrapasse os limites regulatórios de segurança plena. A transição para a faixa normal dependerá exclusivamente da continuidade das chuvas nas cabeceiras dos rios que formam o complexo.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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