Soja em Roraima: Colheita inicia sob risco de perda de 50% na safra
O fenômeno El Niño e a seca severa ameaçam a produção de soja em Roraima. Produtores iniciam colheita com previsão de queda drástica na produtividade do grão.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 09 de agosto de 2026 às 07:003 min de leitura

Fenômeno El Niño e falta de chuvas comprometem produtividade nas lavouras roraimenses e geram alerta no setor produtivo.
A colheita de soja em Roraima teve início nesta semana sob um cenário de extrema preocupação para o agronegócio local. A estimativa de especialistas e órgãos do setor aponta para uma redução de até 50% no volume total produzido em comparação com o ciclo anterior. O principal entrave enfrentado pelos agricultores é a irregularidade climática severa, que impediu o desenvolvimento pleno das plantas em diversas regiões do estado.
Impacto climático nas lavouras
O início dos trabalhos de campo revela as cicatrizes deixadas pela seca prolongada que atingiu o extremo norte do país. De acordo com monitoramentos meteorológicos, o fenômeno El Niño foi o principal responsável pela escassez de precipitações durante meses cruciais para o enchimento dos grãos. Em municípios como Boa Vista, Bonfim e Alto Alegre, as máquinas avançam sobre áreas onde a planta não atingiu a estatura ideal, resultando em vagens menores e menor peso por saca.
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Prejuízos econômicos e produtividade
Produtores rurais relatam que o investimento em tecnologia e sementes de alto desempenho não foi suficiente para conter o avanço do estresse hídrico. Em algumas propriedades, a expectativa de colher 60 sacas por hectare foi reduzida drasticamente para menos de 30 sacas. Esse cenário coloca em risco a rentabilidade do setor no estado, já que os custos de produção, incluindo fertilizantes e defensivos, foram calculados sobre uma projeção de safra recorde que não se concretizou devido ao clima adverso.
O que dizem as autoridades
Técnicos da Secretaria de Agricultura e órgãos de assistência rural acompanham de perto a evolução da colheita para mensurar o tamanho real do impacto na economia estadual. A orientação para os produtores é que documentem as perdas para eventuais acionamentos de seguro agrícola e renegociações de dívidas junto às instituições bancárias. A baixa umidade do solo durante o período vegetativo é apontada como o fator determinante para a quebra de safra que agora se confirma nas balanças.
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Contexto
Historicamente, Roraima vinha apresentando um crescimento robusto na fronteira agrícola, aproveitando o calendário diferenciado de plantio em relação ao restante do Brasil. Enquanto o Centro-Sul colhe no início do ano, o estado realiza seu ciclo no segundo semestre, o que garante uma vantagem estratégica no mercado. Entretanto, o ano de 2024 tem se mostrado um dos mais desafiadores da última década para o produtor do Lavrado, com temperaturas acima da média e índices pluviométricos muito abaixo do esperado.
O que esperar
Para as próximas semanas, a expectativa é que o ritmo da colheita se intensifique, mas as projeções de quebra de safra dificilmente serão revertidas. O mercado agora observa como essa menor oferta de grãos impactará os preços locais e a logística de exportação pelo porto de Itacoatiara, no Amazonas. O setor produtivo aguarda o encerramento dos trabalhos para definir as estratégias de plantio da próxima temporada, esperando por condições climáticas mais favoráveis.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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