Solano Ribeiro, arquiteto da Era dos Festivais, morre aos 87 anos em SP
O lendário produtor musical Solano Ribeiro faleceu em São Paulo. Ele foi o responsável por revolucionar a música brasileira na TV durante a Era dos Festivais.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 31 de outubro de 2026 às 21:173 min de leitura

O produtor que transformou a televisão brasileira em palco para a MPB deixa um legado inestimável para a cultura nacional.
O cenário cultural brasileiro perdeu, nesta semana, um de seus maiores pilares. O produtor musical Solano Ribeiro faleceu aos 87 anos, na cidade de São Paulo. Conhecido como o mentor da icônica Era dos Festivais, ele foi o responsável por orquestrar os eventos que revelaram os maiores nomes da música popular brasileira entre as décadas de 1960 e 1970, unindo o poder da televisão ao talento de compositores e intérpretes que definiram a identidade do país.
O arquiteto da música na TV
A trajetória de Solano Ribeiro é indissociável da modernização do entretenimento televisivo. Em um período de efervescência política e social, ele percebeu que a televisão poderia ser mais do que um meio de transmissão, transformando-a em uma arena de debate e inovação artística. Sob sua coordenação, os festivais de música deixaram de ser meros concursos para se tornarem fenômenos de audiência que paravam o Brasil, lançando carreiras de artistas do calibre de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil.
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Impacto cultural e bastidores
Nos bastidores das grandes emissoras, Solano atuava como um visionário que compreendia a dinâmica entre o palco e o telespectador. Ele foi o mentor por trás do histórico Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, em 1967, evento considerado por historiadores como o ápice da criatividade musical brasileira. O produtor tinha a habilidade rara de equilibrar as tensões artísticas da época, permitindo que movimentos como a Tropicália e o engajamento político das canções de protesto encontrassem espaço nas telas de milhões de lares brasileiros.
Legado além das décadas de ouro
Mesmo após o fim do auge dos grandes certames musicais, Solano Ribeiro permaneceu ativo na preservação da memória cultural. Ele dedicou décadas ao rádio e à produção de novos projetos, sempre defendendo a qualidade técnica e a diversidade rítmica. Em São Paulo, onde consolidou sua carreira, ele era visto como uma enciclopédia viva da MPB, sendo consultado frequentemente por novos produtores e historiadores que buscavam entender a transição da música do rádio para a era visual da televisão colorida.
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Contexto
A Era dos Festivais não foi apenas um período musical, mas um movimento de resistência e afirmação da identidade brasileira durante a Ditadura Militar. Os eventos organizados por nomes como Solano Ribeiro serviam como válvula de escape e expressão para uma juventude que buscava novas formas de liberdade. A vitória de canções como "A Banda" e a polêmica em torno de "Ponteio" são marcos que só existiram devido à estrutura profissional e competitiva montada por produtores de sua geração.
O que esperar
O falecimento de Solano Ribeiro marca o fim de uma era, mas consolida um acervo histórico que continua a influenciar a produção audiovisual contemporânea. Homenagens de instituições culturais e de grandes nomes da música são esperadas ao longo dos próximos dias em São Paulo e em todo o país, celebrando o homem que ensinou o Brasil a ouvir e ver sua própria arte com orgulho.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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