Soroterapia: médicos alertam para riscos e falta de eficácia do soro da beleza
Especialistas explicam que infusões de vitaminas em pessoas saudáveis não possuem comprovação científica e podem sobrecarregar órgãos como rins e coração.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 03:003 min de leitura

Prática de injetar coquetéis de vitaminas na veia cresce em clínicas estéticas, mas especialistas apontam ausência de benefícios para quem não tem deficiência nutricional.
A aplicação intravenosa de nutrientes, popularmente chamada de soroterapia ou soro da beleza, tornou-se uma febre em centros de estética e consultórios pelo Brasil. A promessa de aumentar a imunidade, promover um efeito detox e garantir energia instantânea atrai milhares de pacientes. No entanto, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a comunidade científica alertam que o procedimento é indicado exclusivamente para casos graves de má absorção ou desnutrição, não havendo provas de que beneficie indivíduos saudáveis.
O funcionamento biológico e a falsa promessa
O principal argumento de quem comercializa esses coquetéis é que a absorção direta na corrente sanguínea seria mais eficiente que a via oral. Contudo, médicos nutrólogos explicam que o corpo humano possui mecanismos naturais de regulação. Quando uma pessoa saudável recebe doses cavalares de vitamina C ou complexo B, o excesso é filtrado pelos rins e eliminado pela urina. Não há um estoque de "superimunidade" criado por essas infusões, e a sensação de bem-estar relatada por alguns pacientes é frequentemente associada ao efeito placebo.
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Riscos à saúde e efeitos colaterais
Embora pareça uma intervenção inofensiva, a administração de substâncias na veia sem necessidade clínica real impõe perigos severos. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) ressalta que o excesso de certas vitaminas, como a vitamina A e a vitamina D, pode causar intoxicação, uma condição conhecida como hipervitaminose. Além disso, a sobrecarga de fluidos pode ser perigosa para pacientes com problemas cardíacos ou renais não diagnosticados, podendo levar a quadros de edema pulmonar e insuficiência cardíaca.
O que dizem as autoridades sanitárias
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém regras rígidas sobre a manipulação de fórmulas injetáveis. A publicidade de que esses soros podem curar doenças ou substituir uma alimentação equilibrada é considerada enganosa. Segundo a comunidade médica, a indicação correta para reposição intravenosa ocorre apenas quando o trato gastrointestinal do paciente está comprometido, como em casos de cirurgia bariátrica, doença de Crohn ou em pacientes hospitalizados que não conseguem se alimentar sozinhos.
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Contexto
A explosão da soroterapia no mercado de luxo brasileiro reflete uma busca imediatista por soluções de saúde que ignora os pilares básicos do bem-estar. Historicamente, a medicina utiliza infusões de suporte apenas em quadros de desidratação severa ou carências nutricionais agudas detectadas em exames de sangue. A transformação desse recurso hospitalar em um produto de prateleira para fins estéticos movimenta milhões de reais anualmente, mas carece de respaldo em estudos clínicos de longo prazo.
O que esperar
Diante do aumento de casos de complicações e da popularização desenfreada nas redes sociais, órgãos de fiscalização devem intensificar o monitoramento de clínicas que oferecem o "soro da imunidade" sem a devida triagem laboratorial. A recomendação para o consumidor é priorizar uma dieta variada e a prática de exercícios, deixando as intervenções endovenosas apenas para situações de real necessidade hospitalar, sob supervisão de um médico especialista.
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