SUS passa a oferecer exame genético para detecção de câncer hereditário
Ministério da Saúde incorpora testes de mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 para pacientes com câncer de mama, facilitando diagnóstico precoce e prevenção.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 08 de agosto de 2026 às 21:083 min de leitura

Sistema Único de Saúde amplia rede de diagnóstico preventivo com testes genéticos para mulheres com câncer de mama.
O Ministério da Saúde anunciou a incorporação de testes genéticos de alta tecnologia que identificam mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 na rede pública de saúde. A medida, que deve entrar em vigor até novembro deste ano, beneficiará mulheres que já possuem o diagnóstico da doença e apresentam critérios de risco para síndromes hereditárias. O objetivo é mapear a predisposição genética e orientar tratamentos mais assertivos em todo o Brasil.
Acesso à tecnologia genômica
A chegada do exame ao SUS representa um marco na oncologia pública brasileira. O procedimento identifica alterações específicas no DNA que aumentam significativamente a probabilidade de reincidência ou o surgimento de novos tumores, como o de ovário. Com a implementação, pacientes que realizam tratamento em centros como o Inca ou hospitais universitários terão acesso a um mapeamento que, antes, ficava restrito à rede privada ou a decisões judiciais de alto custo.
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Impacto no tratamento e prevenção
De acordo com especialistas da área de mastologia, a identificação das mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 permite que a equipe médica adote estratégias personalizadas. Em casos confirmados de hereditariedade, o protocolo pode incluir desde o uso de medicamentos específicos até cirurgias profiláticas, como a mastectomia redutora de risco. A expectativa é que o diagnóstico molecular ajude a reduzir a mortalidade em pacientes jovens, onde o fator genético costuma ser mais agressivo e determinante.
Organização do fluxo de atendimento
Para receber o teste, a paciente deverá passar por uma avaliação clínica rigorosa que comprove o perfil de risco, como histórico familiar denso ou diagnóstico de câncer de mama antes dos 45 anos. O Governo Federal trabalha agora na estruturação dos laboratórios de referência para garantir que a análise das amostras ocorra dentro de prazos aceitáveis. A meta é que, a partir do último trimestre de 2024, o fluxo de coleta e resultado esteja plenamente operacional em todas as regiões do país.
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Contexto
Atualmente, cerca de 5% a 10% de todos os casos de câncer de mama estão relacionados a mutações genéticas herdadas. No Brasil, o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres, depois do de pele não melanoma, com uma estimativa de mais de 73 mil novos casos por ano, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde. A falta de acesso a testes genéticos era apontada por entidades médicas como um dos principais gargalos para a medicina de precisão no setor público.
O que esperar
A incorporação deste exame é o primeiro passo para uma política nacional de genômica mais robusta. Nos próximos meses, os gestores estaduais de saúde deverão receber diretrizes sobre o treinamento de equipes para o aconselhamento genético, etapa fundamental que ocorre após o resultado do teste. A medida promete transformar a jornada da paciente no SUS, oferecendo uma chance real de antecipação ao avanço da doença em famílias com histórico oncológico.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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