Tarifaço de Trump atinge lagosta brasileira e altera comércio com os EUA
Novas taxas de 25% impostas pelo governo Donald Trump entram em vigor e impactam exportações de crustáceos brasileiros, gerando incertezas no setor pesqueiro.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 08:424 min de leitura

A nova política protecionista de Washington penaliza o setor de crustáceos vivos, enquanto produtos processados mantêm isenção temporária.
O mercado de exportação brasileiro sofreu um duro golpe nesta terça-feira (22) com a entrada em vigor de uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos marinhos. A medida, oficializada pelo governo de Donald Trump, foca especialmente na lagosta viva, uma das principais pautas de exportação do Nordeste brasileiro para os Estados Unidos. A decisão ocorre após o encerramento de uma investigação comercial que apontou barreiras impostas pelo Brasil que, na visão da Casa Branca, prejudicam o livre comércio entre as duas nações.
O impacto nas exportações pesqueiras
A aplicação do imposto de importação cria uma divisão imediata na cadeia produtiva nacional. Enquanto a lagosta viva passa a ser tributada com a alíquota de 25%, o item congelado escapou da lista de tarifação imediata, garantindo um fôlego momentâneo para as indústrias de processamento. Especialistas do setor apontam que a medida de Donald Trump busca forçar uma renegociação de termos comerciais, utilizando o setor pesqueiro como moeda de troca política em um cenário de crescente protecionismo norte-americano.
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Empresas exportadoras de estados como Ceará e Rio Grande do Norte, que concentram o maior volume de vendas para o exterior, já começam a recalcular as margens de lucro. O custo adicional de um quarto do valor da mercadoria torna o produto brasileiro menos competitivo frente a concorrentes do Caribe e da Ásia. Segundo dados técnicos, a investigação que culminou no tarifaço alegou que o governo brasileiro adota práticas que oneram ou restringem de forma injusta o fluxo de bens provenientes dos Estados Unidos.
O que dizem as autoridades
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, o governo brasileiro acompanha com preocupação o desenrolar das restrições e busca vias diplomáticas para reverter a decisão. Técnicos do governo federal argumentam que o setor de pesca cumpre todas as normas internacionais e que a sanção imposta por Washington é desproporcional. A expectativa é que missões comerciais sejam enviadas para discutir a exclusão de itens sensíveis da lista de sobretaxas, evitando um prejuízo bilionário para a balança comercial em 2025.
O setor produtivo, representado por federações de pesca, afirma que a distinção entre o produto vivo e o congelado pode causar uma distorção no mercado interno. Com a taxação da lagosta viva, muitos produtores podem migrar para o processamento de congelados de forma acelerada, sobrecarregando as plantas industriais. A Polícia Federal e órgãos fazendários também monitoram o fluxo de exportações para garantir que não haja fraudes na classificação dos produtos para evasão da nova tarifa de 25%.
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Contexto
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos tem passado por momentos de tensão desde o retorno de políticas nacionalistas na gestão republicana. O foco em commodities e produtos de alto valor agregado, como a lagosta, faz parte de uma estratégia de revisão de acordos bilaterais. Historicamente, os EUA são o maior destino dos crustáceos brasileiros, absorvendo cerca de 80% da produção total de lagostas capturadas em águas territoriais brasileiras.
Este não é o primeiro setor atingido por investigações da seção comercial norte-americana. Nos últimos anos, o aço e o alumínio também enfrentaram barreiras similares, sob a justificativa de segurança nacional ou equilíbrio de balança comercial. O atual cenário de 22 de outubro marca o ápice de uma disputa que se arrastava desde o início do ano, quando as primeiras notificações de práticas restritivas foram emitidas pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos.
Próximos passos
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Nas próximas semanas, o impacto real nos preços ao consumidor final nos Estados Unidos deve determinar se haverá pressão interna contra o tarifaço. No Brasil, o governo deve formalizar uma consulta junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso as negociações bilaterais não avancem. O foco imediato dos exportadores será a diversificação de mercados, buscando compradores na União Europeia e na China para escoar a produção que antes era destinada exclusivamente ao mercado americano.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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