TCE-MT investiga irregularidades em contrato de duplicação da BR-163
Tribunal de Contas de Mato Grosso apura falhas em projeto básico de obras na BR-163 após denúncia de custos extras em trecho estratégico da rodovia.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 15:043 min de leitura

Tribunal de Contas de Mato Grosso analisa possíveis falhas técnicas e prejuízos financeiros em obras de infraestrutura no estado.
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) instaurou um procedimento oficial de investigação para apurar supostas irregularidades no contrato de duplicação da BR-163, a principal via de escoamento agrícola do país. A medida ocorre após uma das empresas contratadas para executar o serviço protocolar uma denúncia formal apontando erros estruturais no projeto básico, o que estaria gerando gastos imprevistos e comprometendo o cronograma das intervenções no Norte de Mato Grosso.
Divergências técnicas e custos elevados
A investigação foca em um trecho específico onde a empreiteira alega que os estudos preliminares entregues pelo poder público não condizem com a realidade do terreno. De acordo com o TCE-MT, as falhas no planejamento inicial teriam provocado um custo extra significativo, uma vez que soluções de engenharia não previstas precisaram ser adotadas em caráter de urgência. O tribunal agora avalia se houve negligência na elaboração do edital ou se os aditivos contratuais solicitados possuem base técnica legítima para evitar danos ao erário público.
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Os conselheiros do órgão fiscalizador determinaram que a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) apresente, em um prazo determinado, toda a documentação técnica que subsidiou o processo licitatório. O objetivo é cruzar os dados do projeto original com as medições realizadas em campo durante o ano de 2024. Caso fiquem comprovadas as omissões, o tribunal pode suspender pagamentos ou aplicar multas pesadas aos responsáveis pela aprovação do projeto considerado deficiente.
Impacto no cronograma de obras
A BR-163 é considerada o principal corredor logístico para o transporte de grãos e qualquer paralisação ou atraso gera impactos diretos na economia regional. A denúncia da empresa executora sugere que o projeto básico ignorou características geológicas fundamentais, o que exigiu uma reestruturação completa da base da pista em diversos quilômetros. O Ministério Público de Contas também acompanha o caso, monitorando se o aumento nos valores do contrato respeita o limite legal de 25% para alterações em obras públicas.
A auditoria técnica deve se estender pelas próximas semanas, com vistorias presenciais no canteiro de obras. Especialistas do TCE-MT analisam se as falhas apontadas pela construtora eram previsíveis no momento da licitação. O foco da fiscalização é garantir que o processo de duplicação, retomado recentemente após anos de estagnação sob gestão federal, não sofra novas interrupções por questões burocráticas ou erros de planejamento da gestão estadual.
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Contexto
A gestão da BR-163 passou por mudanças drásticas nos últimos dois anos, após o governo estadual assumir o controle da concessão através da MT Participações e Projetos (MT-PAR). O plano de investimentos prevê o aporte de mais de R$ 1 bilhão em melhorias, visando reduzir o número de acidentes e otimizar o transporte de soja e milho. No entanto, a transição do modelo de concessão privada para o controle público estadual trouxe desafios de governança que agora estão sob a lupa dos órgãos de controle.
Historicamente, a rodovia é conhecida como a Rodovia da Morte devido à precariedade do asfalto e à falta de duplicação em trechos críticos. O esforço atual de engenharia é visto como vital para a infraestrutura nacional, mas a descoberta de erros em projetos básicos pode repetir problemas do passado, onde aditivos sucessivos encareceram obras públicas em Mato Grosso sem a contrapartida de qualidade esperada pela população.
Próximos passos
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Nos próximos dias, o relator do processo no TCE-MT deve analisar a defesa preliminar apresentada pelos órgãos estaduais. Se houver indícios de dolo ou erro grosseiro, o tribunal poderá recomendar a responsabilização de gestores e engenheiros envolvidos na fase de projeto. A expectativa é que um relatório detalhado sobre a viabilidade financeira do contrato seja publicado até o final do primeiro semestre.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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