TJSP mantém condenação de advogado ligado ao PCC em Presidente Venceslau

Justiça negou revisão criminal de advogado sentenciado por integrar organização criminosa em presídios paulistas. Defesa alegava atuação profissional comum.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 16:133 min de leitura

TJSP mantém condenação de advogado ligado ao PCC em Presidente Venceslau
Resumo em 10 segundos

Tribunal de Justiça de São Paulo rejeita argumento de defesa e reafirma envolvimento de jurista com facção criminosa no interior paulista.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou, em decisão recente, o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de um advogado condenado por integrar a facção criminosa PCC. O réu havia sido sentenciado pela Justiça de Presidente Venceslau, cidade estratégica no sistema prisional do estado, sob a acusação de atuar como peça-chave na comunicação e logística do grupo dentro das unidades de segurança máxima da região. A decisão mantém a pena imposta anteriormente, reforçando o entendimento de que a conduta extrapolou os limites do exercício da advocacia.

A estrutura do grupo criminoso

De acordo com o processo judicial, o condenado operava dentro de uma célula estruturada que utilizava a prerrogativa profissional para facilitar o fluxo de informações entre líderes da facção presos e membros em liberdade. O Ministério Público apontou que o esquema funcionava de maneira orquestrada em Presidente Venceslau, onde estão localizadas penitenciárias de segurança máxima que abrigam a cúpula da organização. Os magistrados entenderam que as provas colhidas durante a instrução criminal demonstram uma adesão voluntária e consciente aos objetivos da facção.

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Argumentação da defesa e decisão judicial

No pedido de revisão, a defesa do réu sustentou a tese de que ele atuava exclusivamente como advogado correspondente, realizando apenas procedimentos técnicos e burocráticos sem qualquer vínculo ideológico ou operacional com o crime organizado. Os advogados pleiteavam a absolvição sumária, alegando falta de provas de autoria. Contudo, os desembargadores do TJSP refutaram a tese, apontando que o conjunto probatório é sólido o suficiente para manter o veredito de condenação, descartando a hipótese de erro judiciário ou insuficiência de evidências.

O papel do setor jurídico na facção

As investigações que levaram à prisão do profissional indicam que o setor jurídico da organização, muitas vezes chamado nas instâncias policiais de sintonia dos gravatas, desempenha funções que vão além da assistência legal. Segundo as autoridades policiais, esse núcleo é responsável por transmitir ordens de ataques, gerenciar o pagamento de auxílios a familiares de detentos e monitorar o andamento de processos de interesse da cúpula. Em Presidente Venceslau, o rigor das fiscalizações aumentou após a descoberta de que o sigilo entre advogado e cliente estava sendo usado para burlar o regime disciplinar.

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Contexto

A região de Presidente Venceslau é historicamente conhecida por abrigar a P2, unidade prisional que por décadas manteve os principais líderes do Primeiro Comando da Capital. A atuação de profissionais do direito em conluio com facções tem sido alvo de diversas operações da Polícia Civil e do GAECO, visando desarticular o braço logístico que permite a continuidade das atividades criminosas mesmo com a cúpula isolada em presídios de segurança máxima.

Historicamente, as condenações desse tipo são acompanhadas pela suspensão ou cassação do registro profissional junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O rigor do Tribunal de Justiça em casos que envolvem a estabilidade do sistema penitenciário reflete a política de tolerância zero com a infiltração de organizações criminosas nas instituições auxiliares da justiça, preservando a integridade do Estado de Direito em São Paulo.

O que esperar

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Com o indeferimento da revisão criminal, a sentença permanece definitiva, restando poucas alternativas jurídicas ao réu nas instâncias superiores, a menos que surjam fatos novos e extraordinários. O caso reforça o precedente de que a imunidade profissional não é absoluta e que o Poder Judiciário manterá a vigilância sobre a atuação de representantes legais que se desviam da ética para colaborar com o crime organizado no Brasil.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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