Tráfico de animais: maritacas são pintadas para serem vendidas como papagaios no RJ

Aves resgatadas na Baixada Fluminense sofreram mutilações e pintura artificial para aumentar valor de revenda. Especialistas alertam para riscos de intoxicação.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 03:003 min de leitura

Tráfico de animais: maritacas são pintadas para serem vendidas como papagaios no RJ
Resumo em 10 segundos

Criminosos utilizam técnicas cruéis de camuflagem e mutilação para enganar compradores e lucrar com o comércio ilegal de fauna silvestre no Rio de Janeiro.

Agentes de fiscalização resgataram, durante uma operação na Feira de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, diversas maritacas que foram submetidas a um processo de adulteração estética. As aves tiveram o rosto pintado de amarelo e partes das penas das asas e da cauda cortadas para que se assemelhassem a filhotes de papagaios-verdadeiros, espécie que possui maior valor de mercado no tráfico de animais. O crime ambiental foi identificado após denúncias sobre a venda irregular de animais silvestres no local.

A crueldade por trás do lucro

Segundo informações da Polícia Militar Ambiental, a tática de pintar as penas busca enganar o consumidor leigo, que acredita estar adquirindo uma espécie mais valorizada por uma fração do preço real. Para atingir a tonalidade desejada, os traficantes utilizam substâncias químicas, como tintas de cabelo ou corantes industriais, que são altamente tóxicas para o organismo das aves. O corte das penas também é realizado de forma rudimentar, impedindo o voo e causando traumas físicos severos aos animais.

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Especialistas em medicina veterinária de animais silvestres explicam que a intoxicação pode ocorrer tanto pelo contato com a pele quanto pela ingestão do produto, já que as aves tentam se limpar usando o bico. Além do risco de morte imediata por envenenamento, o estresse do manejo agressivo e as condições de higiene precárias nos cativeiros clandestinos reduzem drasticamente a expectativa de vida desses exemplares.

Impacto na fauna e fiscalização

As autoridades reforçam que o comércio de animais em feiras livres é crime federal previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). O resgate dessas maritacas evidencia uma estrutura organizada de captura na natureza e distribuição urbana. Após a apreensão, as aves são encaminhadas para Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), onde passam por um processo de desintoxicação e tentativa de recuperação das penas, embora o retorno à natureza nem sempre seja possível devido à domesticação forçada.

De acordo com a Linha Verde, programa do Disque Denúncia especializado em meio ambiente, o estado do Rio de Janeiro registra altos índices de apreensões desse tipo, especialmente em mercados populares aos domingos. A prática de "maquiar" animais é uma tentativa desesperada dos criminosos de escoar o estoque vivo antes de possíveis batidas policiais, ignorando completamente o bem-estar dos bichos.

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Contexto

O tráfico de animais silvestres é a terceira maior atividade ilícita do mundo, ficando atrás apenas do tráfico de drogas e de armas. No Brasil, a biodiversidade atrai redes criminosas que retiram milhares de espécimes de seus biomas originais anualmente. Estima-se que, de cada dez animais traficados, apenas um consiga sobreviver até chegar ao destino final, morrendo a maioria durante o transporte ou em decorrência dos maus-tratos.

As maritacas, por serem mais abundantes e fáceis de capturar em comparação aos papagaios, tornam-se as principais vítimas dessa falsificação. Enquanto um papagaio-verdadeiro pode custar milhares de reais no mercado ilegal, a maritaca é vendida por valores muito inferiores, motivando os traficantes a realizarem a pintura artificial para multiplicar seus ganhos de forma rápida e brutal.

O que esperar

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As investigações agora buscam identificar os fornecedores e os responsáveis pela logística de transporte dessas aves até a Baixada Fluminense. A polícia intensificará o monitoramento em feiras livres e alerta a população para que não compre animais silvestres sem a documentação legal do Ibama. Quem for flagrado comercializando ou mantendo esses animais em cativeiro sem autorização está sujeito a multas pesadas e penas de detenção.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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