Transplante de medula une doador e receptor em amizade inédita no interior de SP
Após procedimento realizado no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, doador e receptor celebram compatibilidade genética e criam laços familiares após o transplante.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 07:263 min de leitura

Encontro entre 'gêmeos genéticos' ocorre após período obrigatório de sigilo e transforma a vida de pacientes unidos pela solidariedade.
O que começou como um procedimento médico de alta complexidade no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, resultou em um vínculo fraternal que ultrapassa os limites da medicina. O paciente Tharsis, que lutava contra uma grave enfermidade, encontrou em Neylor a única chance de sobrevivência através de um transplante de medula óssea. Após a cirurgia bem-sucedida na unidade que é referência internacional em oncologia, os dois passaram a se considerar irmãos de sangue devido à raríssima compatibilidade encontrada entre pessoas sem qualquer parentesco prévio.
O processo de captação e o reencontro
A jornada começou com a captação das células-tronco hematopoéticas no centro cirúrgico de Jaú, onde a equipe médica realizou a coleta de Neylor. De acordo com as normas do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), a identidade de ambos deve ser mantida em sigilo absoluto por um período de 18 meses. Somente após esse intervalo, e com a concordância mútua, os dados são liberados para contato. O primeiro encontro físico aconteceu após a espera regulamentar, selando uma conexão que já existia no DNA.
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A rotina de amizade e viagens
Atualmente, a relação entre Tharsis e Neylor transcende o histórico clínico. Os dois amigos compartilham viagens de lazer, festas de aniversário e momentos significativos com suas respectivas famílias. Para Tharsis, o doador não é apenas um voluntário, mas um salvador que permitiu a continuidade de seus planos de vida. A convivência é tão próxima que eles se referem um ao outro como gêmeos genéticos, uma vez que o sistema imunológico do receptor passou a ter as características biológicas do doador após o enxerto bem-sucedido.
O impacto da doação voluntária
Especialistas do Hospital Amaral Carvalho reforçam que a probabilidade de encontrar um doador compatível fora da família é de 1 em 100 mil. Por isso, o caso de Neylor e Tharsis é celebrado como um exemplo do impacto real que o cadastro de doadores possui na saúde pública. O hospital, que realiza centenas de procedimentos anualmente, destaca que a solidariedade é a ferramenta principal para vencer doenças hematológicas graves que não respondem aos tratamentos convencionais de quimioterapia.
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Contexto
O Hospital Amaral Carvalho, localizado no interior de São Paulo, é o centro que mais realiza transplantes de medula óssea no Brasil, atendendo pacientes de todos os estados através do Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição mantém um rigoroso protocolo de acompanhamento pós-transplante, que visa não apenas a recuperação física, mas também o suporte psicossocial dos envolvidos. O Brasil possui hoje o terceiro maior banco de doadores de medula do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha.
Próximos passos
A dupla agora planeja participar de campanhas de conscientização para incentivar novos registros no Redome. Eles esperam que sua história de amizade motive jovens entre 18 e 35 anos a procurarem hemocentros para realizar a coleta de uma pequena amostra de sangue para tipagem HLA. O objetivo é mostrar que o gesto de doar pode salvar uma vida e, em casos especiais, criar novas e duradouras famílias.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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