Transplante renal cruzado entre hospitais diferentes é realizado no Brasil
Em procedimento inédito, Santa Casa de Juiz de Fora e HC de Ribeirão Preto viabilizam troca de rins entre famílias incompatíveis, salvando duas vidas.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 05:033 min de leitura

Procedimento cirúrgico pioneiro conecta instituições de Minas Gerais e São Paulo para viabilizar doação entre pacientes incompatíveis.
Uma operação coordenada entre a Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), em São Paulo, marcou um avanço histórico na medicina brasileira esta semana. O procedimento, conhecido como transplante renal cruzado, permitiu que dois pacientes que possuíam doadores vivos, porém incompatíveis, recebessem os órgãos de forma simultânea por meio de uma troca estratégica entre as famílias.
A logística da solidariedade
O caso envolveu uma logística complexa que exigiu sincronia absoluta entre as equipes médicas das duas cidades. A técnica do transplante cruzado é aplicada quando um familiar deseja doar um rim para um parente, mas a tipagem sanguínea ou a prova cruzada de anticorpos impede a cirurgia direta. No episódio recente, o doador de Juiz de Fora era compatível com o receptor de Ribeirão Preto, e vice-versa, o que permitiu que a central estadual de transplantes autorizasse a permuta dos órgãos para salvar ambas as vidas.
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As cirurgias de retirada dos órgãos ocorreram no início da manhã, seguidas por um transporte rigoroso para garantir a viabilidade do tecido renal. Segundo a equipe cirúrgica da Santa Casa, a manutenção do órgão fora do corpo requer controle estrito de temperatura e tempo, fatores que foram geridos com sucesso pelas autoridades de saúde envolvidas. A estratégia reduz drasticamente o tempo de espera na fila do SUS, que hoje conta com milhares de brasileiros aguardando por um doador falecido.
Inovação e segurança jurídica
Embora o transplante cruzado já fosse discutido no meio acadêmico, a realização entre instituições de estados diferentes reforça a maturidade do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). A prática é respaldada por decisões éticas que priorizam o benefício do paciente, desde que não haja qualquer tipo de comercialização. Em Ribeirão Preto, os médicos destacaram que a recuperação dos pacientes segue dentro da normalidade e que a função renal foi restabelecida imediatamente após a revascularização nos novos receptores.
Especialistas apontam que este modelo de doação pode ser a solução para casos de alta sensibilização imunológica, onde encontrar um doador compatível é extremamente difícil. Com a integração de dados entre hospitais de referência, o Brasil dá um passo para institucionalizar programas de pareamento, similares aos que já ocorrem com sucesso nos Estados Unidos e na Europa, aumentando as chances de sobrevivência para quem depende de hemodiálise.
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Contexto
O transplante de rim é o tipo de transplante de órgãos mais realizado no Brasil, mas a demanda ainda supera a oferta. Atualmente, a legislação brasileira exige autorização judicial ou conformidade estrita com as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) para a doação entre pessoas sem parentesco, o que torna o transplante cruzado uma alternativa técnica e legalmente viável para contornar a incompatibilidade biológica entre familiares.
Historicamente, o país tem se destacado pela rede pública de transplantes, sendo a maior do mundo em termos de financiamento estatal. O sucesso desta operação entre Minas Gerais e São Paulo abre precedentes para que novos protocolos de cooperação interestadual sejam firmados, otimizando o uso de órgãos disponíveis e reduzindo a mortalidade nas listas de espera que, em 2023, registraram um aumento significativo de pacientes ativos.
Próximos passos
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Após o sucesso deste intercâmbio, o Ministério da Saúde deve avaliar a expansão de algoritmos de busca para identificar mais pares compatíveis em todo o território nacional. Os pacientes operados continuarão em observação rigorosa pelas próximas 48 horas, período crítico para monitorar possíveis rejeições agudas, mas a expectativa clínica é de alta hospitalar em até sete dias para os doadores e dez dias para os receptores.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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