Transporte em Campo Grande: venda do Consórcio Guaicurus muda gestão

A empresa goiana HP Transportes assume o controle do transporte coletivo em Campo Grande após crise financeira e intervenção no Consórcio Guaicurus.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 13:413 min de leitura

Transporte em Campo Grande: venda do Consórcio Guaicurus muda gestão
Resumo em 10 segundos

Nova administração assume o transporte coletivo da capital sul-mato-grossense em meio a processo de intervenção e crise financeira.

O cenário da mobilidade urbana em Campo Grande passa por uma transformação estrutural nesta semana com a confirmação da venda do Consórcio Guaicurus. A empresa goiana HP Transportes adquiriu o controle acionário do grupo que opera o sistema de ônibus na cidade, assumindo a operação em um momento crítico de intervenção administrativa decretada pela prefeitura local. A transação ocorre após meses de impasses sobre a qualidade do serviço e o equilíbrio financeiro do contrato.

Detalhes da aquisição e nova gestão

A chegada da HP Transportes, tradicional operadora do sistema de Goiânia, marca o fim de uma era de décadas sob o comando das famílias que fundaram o consórcio original. De acordo com informações da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), a nova controladora terá o desafio imediato de renovar a frota e garantir o cumprimento das tabelas de horários, alvos constantes de reclamações dos usuários. O valor da transação não foi divulgado oficialmente, mas envolve a assunção de passivos trabalhistas e dívidas com fornecedores.

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O que muda para o passageiro

Com a mudança de comando, a expectativa da Prefeitura de Campo Grande é que haja um aporte imediato de capital para a manutenção dos veículos. O processo de intervenção, que ainda está em vigor, serviu para auditar as contas e identificar gargalos operacionais que impediam o fluxo de caixa. A nova gestão prometeu revisar os processos internos para evitar novas paralisações de motoristas, fato que ocorreu repetidas vezes em 2023 e no início de 2024 devido a atrasos salariais.

O papel da intervenção pública

A intervenção decretada pela Prefeita Adriane Lopes foi o catalisador para a venda. Durante o período de ocupação administrativa, técnicos do município identificaram que a gestão anterior não possuía mais capacidade de investimento. Segundo a Procuradoria-Geral do Município, a entrada do grupo goiano pode suspender a necessidade de medidas jurídicas mais drásticas, como a caducidade da concessão, desde que as metas de qualidade e eficiência estabelecidas no contrato original sejam finalmente atingidas.

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Contexto

O Consórcio Guaicurus opera o transporte público de Campo Grande desde o processo licitatório de 2012. Ao longo dos últimos anos, o sistema enfrentou uma queda acentuada no número de passageiros pagantes, agravada pela pandemia de Covid-19. A crise gerou um vácuo financeiro que resultou em uma frota envelhecida, com idade média superior ao permitido por lei, e uma dependência crescente de subsídios governamentais para manter o valor da tarifa em patamares acessíveis.

Próximos passos

A transição operacional deve ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos 30 dias. A Agereg acompanhará de perto a integração da nova diretoria para garantir que não haja interrupção nos serviços prestados à população. O foco principal do primeiro semestre da nova gestão será a substituição de pelo menos 50 ônibus que já ultrapassaram o tempo de uso permitido, visando dar mais segurança e conforto aos mais de 100 mil usuários diários do sistema.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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