Trivia Trens assume operação definitiva de três linhas da CPTM nesta terça

Consórcio do Grupo Comporte assume as Linhas 11, 12 e 13 da CPTM com o desafio imediato de reduzir as falhas frequentes na malha ferroviária de São Paulo.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 00:004 min de leitura

Resumo em 10 segundos

Consórcio privado inicia gestão de mais de 100 quilômetros de trilhos com a meta de modernizar o serviço e conter crise de manutenção.

A concessionária Trivia Trens, controlada pelo Grupo Comporte, assume oficialmente nesta terça-feira a operação definitiva das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. A transferência de gestão marca uma nova fase para o transporte sobre trilhos em São Paulo, abrangendo uma malha ferroviária que supera os 100 quilômetros de extensão e atende centenas de milhares de passageiros diariamente que se deslocam entre a capital e a Região Metropolitana.

O desafio da Linha 11-Coral

O maior obstáculo imediato para a nova operadora, liderada pelo empresário Nenê Constantino, reside na estabilização da Linha 11-Coral. O ramal, que conecta a estação Luz ao município de Mogi das Cruzes, atravessa um período crítico de confiabilidade técnica. Dados operacionais indicam que o volume de interrupções e falhas graves no trecho apresentou uma alta alarmante de 275% nos últimos dois meses, gerando atrasos constantes e insatisfação generalizada entre os usuários da Zona Leste.

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A estratégia da Trivia Trens para reverter este cenário envolve um plano de manutenção preventiva intensiva nos sistemas de rede aérea e sinalização. Segundo cronograma apresentado às autoridades de transporte, a empresa deverá realizar investimentos significativos na modernização das subestações de energia. A prioridade é reduzir o tempo de resposta em casos de pane, algo que se tornou o principal ponto de fricção na transição entre o modelo estatal da CPTM e a gestão privada do Grupo Comporte.

Expansão e infraestrutura na rede

Além da recuperação da Linha 11, o contrato de concessão prevê melhorias estruturais nas linhas 12-Safira e 13-Jade. Esta última, que faz a ligação com o Aeroporto Internacional de Guarulhos, é vista como um ativo estratégico para a expansão do fluxo de passageiros de alta renda e turistas. A concessionária planeja otimizar os intervalos entre os trens e investir na requalificação de estações que sofrem com problemas de acessibilidade e iluminação, visando elevar o padrão de atendimento ao nível das demais linhas já privatizadas na capital paulista.

A transferência do controle operacional ocorre após um período de operação assistida, onde técnicos da Trivia Trens acompanharam o cotidiano dos funcionários públicos para absorver o conhecimento técnico das rotas. Com a posse definitiva, a empresa passa a ser a única responsável pela segurança, limpeza e circulação das composições. O governo estadual monitorará o cumprimento das metas de desempenho através de indicadores de qualidade que podem resultar em multas caso os índices de falhas não apresentem queda no primeiro semestre de 2024.

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Contexto

A privatização de trechos da CPTM faz parte de um amplo programa de desestatização do governo de São Paulo, que busca reduzir o custo fixo do Estado com a manutenção de trens metropolitanos. O Grupo Comporte, vencedor do leilão, já possui vasta experiência no setor de transportes rodoviários e vem expandindo sua atuação no setor ferroviário nacional, consolidando-se como um dos principais players de infraestrutura do país após a aquisição de outros ativos de mobilidade urbana.

Historicamente, as linhas da zona leste enfrentam desafios geográficos e de alta demanda, operando frequentemente acima da capacidade nominal nos horários de pico. A Linha 12-Safira, por exemplo, percorre áreas com solo instável e exige monitoramento constante da via permanente. A entrada da iniciativa privada é vista por especialistas como uma tentativa de acelerar aportes financeiros que o tesouro estadual não teria capacidade de empenhar no curto prazo para a renovação da frota e dos sistemas de trilhos.

O que esperar

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Nos primeiros 90 dias de operação plena, a expectativa é que a Trivia Trens apresente um diagnóstico detalhado sobre o estado dos componentes eletromecânicos da rede. Os passageiros deverão notar mudanças graduais na identidade visual das estações e no atendimento ao público. O sucesso da concessão será medido, sobretudo, pela capacidade da empresa em estancar a crise de confiabilidade da Linha 11-Coral, provando que o modelo de gestão compartilhada com o setor privado pode oferecer uma viagem mais segura e pontual para o trabalhador paulista.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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