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Trump assina decreto para restringir cidadania automática nos EUA

Nova medida do governo Donald Trump visa acabar com o chamado turismo de nascimento e impacta diretamente o direito de cidadania por solo para estrangeiros.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 07 de agosto de 2026 às 00:004 min de leitura

Trump assina decreto para restringir cidadania automática nos EUA
Resumo em 10 segundos

Governo dos Estados Unidos endurece regras migratórias para impedir que filhos de estrangeiros obtenham nacionalidade americana de forma automática.

O presidente Donald Trump assinou, nesta quinta-feira (6), um decreto executivo que altera profundamente a política de concessão de cidadania nos Estados Unidos. A medida visa combater o fenômeno conhecido como turismo de nascimento, prática em que gestantes viajam ao território americano com o objetivo exclusivo de garantir que seus filhos nasçam em solo estadunidense e, consequentemente, recebam a cidadania automática. A decisão marca um dos movimentos mais agressivos da atual gestão na área de imigração e promete gerar amplos debates jurídicos sobre a interpretação da Constituição americana.

As novas diretrizes do decreto

Com a assinatura do documento, a administração federal orienta agências e consulados a aumentarem o rigor na fiscalização de vistos e na entrada de estrangeiros. O foco principal são mulheres em estágio avançado de gravidez que não possuem vínculos claros ou justificativas sólidas para a permanência temporária no país. De acordo com a Casa Branca, a intenção é preservar a integridade da nacionalidade americana e evitar que o benefício seja utilizado de forma estratégica por quem não reside permanentemente nos Estados Unidos. A medida afeta diretamente cidadãos de diversos países que utilizam a brecha legal para garantir passaportes americanos para seus descendentes.

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Impacto jurídico e constitucional

A nova ordem executiva deve enfrentar resistência imediata nos tribunais federais. O ponto central da controvérsia reside na 14ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que estabelece que todas as pessoas nascidas ou naturalizadas no país são cidadãs americanas. Especialistas em direito constitucional afirmam que uma mudança dessa magnitude exigiria uma emenda votada pelo Congresso ou uma decisão definitiva da Suprema Corte, e não apenas um decreto presidencial. No entanto, o governo sustenta que a interpretação atual da lei é distorcida e que o direito ao solo não deveria se aplicar a pessoas que estão no país de forma transitória ou ilegal.

O controle de fronteiras e vistos

Além da questão da cidadania, o decreto instrui o Departamento de Estado a treinar oficiais consulares para identificar sinais de que a requerente de um visto de turista pretende dar à luz em hospitais americanos. Caso a suspeita seja confirmada e a solicitante não comprove meios financeiros para arcar com as despesas médicas — que podem chegar a dezenas de milhares de dólares — o visto poderá ser negado sumariamente. O governo alega que essa prática sobrecarrega o sistema de saúde público e privado, além de criar redes de agenciadores que lucram com pacotes de viagem para partos no exterior.

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Contexto

O debate sobre o fim da cidadania por nascimento é uma promessa de campanha recorrente de Donald Trump desde 2016. Os defensores da medida argumentam que os Estados Unidos são um dos poucos países desenvolvidos que ainda mantêm o critério de jus soli (direito de solo) de forma irrestrita. Por outro lado, grupos de defesa dos direitos civis apontam que a medida é discriminatória e visa criar uma hierarquia entre imigrantes, além de ignorar décadas de jurisprudência estabelecida pela justiça americana.

Historicamente, o fluxo de grávidas para cidades como Miami, Nova York e Los Angeles movimentou um mercado lucrativo de consultorias migratórias. Dados de órgãos de monitoramento indicam que milhares de crianças nascem anualmente nestas condições, o que o governo classifica agora como uma ameaça à segurança nacional e ao sistema de benefícios sociais do país.

O que esperar

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Nos próximos dias, espera-se uma onda de ações judiciais por parte de organizações de direitos humanos para tentar bloquear os efeitos do decreto. O Departamento de Justiça já se prepara para defender a constitucionalidade da medida, enquanto as alfândegas e aeroportos devem iniciar protocolos de triagem mais rígidos imediatamente. O desfecho dessa batalha legal determinará o futuro da política migratória americana e poderá redefinir o conceito de cidadania para as próximas gerações.

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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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