Tubarões-lixa invadem área de monitoramento em Fernando de Noronha
Imagens inéditas capturadas por drones mostram grupo de 13 tubarões acessando região rasa em Fernando de Noronha. Pesquisadores da UFRPE analisam o fenômeno.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 16:473 min de leitura

Imagens aéreas inéditas registram movimentação atípica de predadores em área de preservação ambiental no arquipélago.
Um grupo composto por 13 tubarões-lixa foi flagrado por drones durante uma manobra impressionante de acesso à região conhecida como Alagados dos Tubarões, em Fernando de Noronha. O registro, realizado nesta semana, mostra o momento exato em que os animais superam barreiras naturais de pedras para entrar em uma área de águas rasas e monitoradas, despertando a atenção de especialistas em biologia marinha e turistas que frequentam a ilha.
Dinâmica da invasão natural
O vídeo detalha a destreza dos animais ao aproveitarem a oscilação da maré para transpor as rochas que delimitam o local. Segundo a análise preliminar de biólogos que atuam no Parque Nacional Marinho, a entrada coordenada de tantos indivíduos da espécie Ginglymostoma cirratum em um espaço confinado é um evento que reforça a importância ecológica do arquipélago. Os Alagados dos Tubarões funcionam como um berçário natural, mas a presença simultânea de mais de uma dezena de adultos é considerada um dado relevante para as estatísticas de monitoramento da fauna local.
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Investigação científica em curso
Especialistas da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) já iniciaram o processo de catalogação das imagens para entender o propósito dessa agregação. A principal hipótese trabalhada pelos pesquisadores é que o local esteja sendo utilizado por fêmeas no início da gestação. O comportamento de buscar águas mais quentes e protegidas é comum em diversas espécies de elasmobrânquios, e os dados coletados em Fernando de Noronha podem confirmar se a região é um ponto crítico para o ciclo reprodutivo desses animais no Atlântico Sul.
Comportamento da espécie
O tubarão-lixa é conhecido por sua natureza menos agressiva em comparação a outros predadores, possuindo o hábito de descansar em grupos no fundo arenoso. No entanto, a agilidade demonstrada para vencer as formações rochosas em Noronha revela uma adaptação física notável. De acordo com a equipe de monitoramento ambiental, o acompanhamento por drones tem sido fundamental para registrar esses momentos sem interferir no habitat, permitindo uma observação pura do comportamento selvagem em uma das áreas mais protegidas do Brasil.
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Contexto
O arquipélago de Fernando de Noronha é um santuário global para a vida marinha, sendo o tubarão-lixa uma das espécies mais emblemáticas da região. Historicamente, a convivência entre humanos e esses animais no local é pacífica, com rígidas normas de visitação impostas pelo ICMBio. Estudos anteriores da UFRPE já apontavam que a variação das correntes marítimas e a temperatura da água em 2024 poderiam influenciar a migração de fêmeas para as áreas de enseada, buscando refúgio contra predadores maiores e condições ideais para o desenvolvimento embrionário.
Próximos passos
Os pesquisadores pretendem intensificar as rondas com aeronaves não tripuladas durante o próximo ciclo de maré viva para verificar se o grupo de 13 tubarões permanece na área ou se o movimento foi apenas uma passagem temporária. Os dados serão compilados em um relatório técnico que ajudará a definir novas estratégias de preservação para os Alagados, garantindo que o fluxo reprodutivo da espécie não seja afetado pela atividade turística na ilha.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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