Túnel Santos-Guarujá: Comissão vai monitorar desapropriações no Macuco
Moradores de Santos criam grupo de fiscalização para garantir indenizações justas durante as obras do túnel submerso. Concessionária não participou de reunião.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 13:113 min de leitura

Moradores do bairro Macuco e autoridades locais estabelecem grupo de trabalho para fiscalizar as remoções de famílias e comércios na área do futuro túnel.
A criação de uma comissão oficial para acompanhar o processo de desapropriações em Santos foi o principal resultado de uma audiência pública realizada nesta terça-feira. O objetivo central do grupo é garantir que os residentes do bairro Macuco recebam valores de mercado por seus imóveis, diante do temor generalizado de prejuízos financeiros com a chegada da maior obra de infraestrutura da Baixada Santista. O encontro reuniu lideranças comunitárias e representantes do poder público para discutir o impacto social do Túnel Santos-Guarujá.
Insegurança dos moradores e ausência de empresa
A principal reclamação dos moradores durante o debate foi a falta de transparência sobre os cálculos que serão utilizados para as indenizações. Diversas famílias ocupam a região há décadas e temem que os valores oferecidos não sejam suficientes para a compra de novas residências em áreas com infraestrutura semelhante. A tensão aumentou devido à ausência de representantes da concessionária responsável pelo projeto na reunião. A empresa alegou, posteriormente, que não recebeu um convite formal para enviar técnicos ao encontro, o que gerou críticas por parte dos organizadores da audiência.
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O papel da nova comissão técnica
O grupo recém-formado terá a função de atuar como um mediador entre a população e os órgãos governamentais. De acordo com a Câmara Municipal, a comissão deve solicitar acesso imediato ao cronograma detalhado de remoções e aos laudos de avaliação imobiliária. A intenção é evitar que as desapropriações ocorram de forma unilateral, assegurando que o Direito à Moradia seja respeitado. Os moradores defendem que o pagamento seja feito de forma prévia e em dinheiro, rejeitando propostas de reassentamento em locais distantes do centro comercial de Santos.
Impacto estrutural e social no Macuco
O bairro Macuco será um dos pontos mais afetados pela embocadura do túnel, exigindo a demolição de diversos quarteirões. Estima-se que centenas de famílias precisem deixar suas casas para dar lugar às pistas de acesso e aos sistemas de ventilação da estrutura submersa. A Prefeitura de Santos afirmou que está monitorando o processo, mas a comunidade exige garantias jurídicas de que o progresso da obra não resulte no empobrecimento da população local. O valor total do investimento no túnel ultrapassa a casa dos R$ 5 bilhões.
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Contexto
A ligação seca entre as cidades de Santos e Guarujá é uma demanda histórica que aguarda solução há quase cem anos. O projeto atual prevê um túnel imerso de 870 metros de extensão sob o canal do porto, permitindo a travessia de veículos, ciclistas e pedestres em poucos minutos. Atualmente, o deslocamento depende do sistema de balsas, que sofre com filas constantes, ou da rodovia Piaçaguera-Guarujá, que aumenta o trajeto em mais de 40 quilômetros.
Próximos passos
A comissão deve agendar uma visita técnica à sede da concessionária nas próximas duas semanas para exigir o cronograma de vistorias residenciais. Enquanto isso, o Ministério Público poderá ser acionado para mediar os termos de ajuste de conduta, garantindo que nenhuma remoção ocorra sem que o morador tenha plena ciência do valor de sua indenização e dos prazos para a mudança definitiva.
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Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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