Vaticano é acusado de falta de transparência em denúncias contra padre
Advogada de vítimas de abusos sexuais cometidos por religioso esloveno critica o silêncio da Santa Sé e a exclusão das vítimas do processo judicial canônico.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 22 de julho de 2026 às 13:083 min de leitura
Vítimas de abusos sexuais denunciam omissão e bloqueio de informações em processo canônico contra religioso esloveno de renome internacional.
Um grupo de cinco mulheres que acusam um influente padre esloveno de crimes de violência sexual e psicológica elevou o tom das críticas contra a condução do caso pela Igreja Católica. A defesa das vítimas aponta que o Vaticano tem operado sob um manto de sigilo excessivo, impedindo que as denunciantes tenham acesso aos autos ou conheçam o andamento das investigações internas. O caso, que envolve um dos artistas sacros mais conhecidos do mundo católico, coloca à prova as recentes promessas de transparência feitas pela cúpula da Santa Sé.
Falta de acesso ao processo
A advogada que representa o grupo de mulheres classificou a postura do tribunal eclesiástico como assustadora e retrógrada. Segundo a jurista, o sistema jurídico do Vaticano estaria negando o direito básico de defesa e informação, tratando as vítimas como meras testemunhas descartáveis e não como partes interessadas no julgamento. A falta de comunicação oficial sobre as etapas do processo impede que as mulheres saibam se os crimes reportados, ocorridos ao longo de décadas, serão devidamente punidos ou se serão arquivados por prescrição.
Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores
Impacto das denúncias e o papel da cúpula
As acusações contra o religioso ganharam força após relatos detalhados de abusos cometidos dentro de uma comunidade religiosa na Eslovênia e, posteriormente, em Roma. As vítimas descrevem um padrão de manipulação espiritual utilizado para justificar os atos libidinosos. Apesar da gravidade dos relatos, o Dicastério para a Doutrina da Fé tem sido alvo de críticas por não afastar o acusado de forma definitiva de suas funções públicas, permitindo que ele continue a exercer influência em determinados círculos eclesiásticos até que uma sentença final seja proferida.
Pressão internacional por justiça
O impasse jurídico gerou uma onda de indignação entre associações que combatem o abuso sexual no clero. Ativistas afirmam que o silêncio da instituição reforça a sensação de impunidade e desencoraja outras sobreviventes a denunciarem seus agressores. A expectativa é que a Igreja adote os protocolos estabelecidos pelo Papa Francisco em 2019, que em tese deveriam garantir maior rigor e clareza na apuração de crimes sexuais cometidos por membros da hierarquia católica, mas que, neste caso específico, parecem não estar sendo aplicados na prática.
Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores
Contexto
O caso em questão envolve um ex-membro da Companhia de Jesus, cujas obras de arte e mosaicos decoram algumas das principais basílicas e santuários do mundo. As primeiras suspeitas públicas contra ele surgiram em dezembro de 2022, quando ex-freiras decidiram quebrar o silêncio sobre os abusos sofridos durante a década de 1990. Desde então, o número de testemunhos cresceu, revelando uma rede de abusos de poder e consciência que teria sido acobertada por superiores durante anos.
Historicamente, o Vaticano enfrenta dificuldades estruturais para lidar com processos que envolvem figuras de alto prestígio artístico ou intelectual. A resistência em abrir os arquivos internos e a manutenção do segredo pontifício em casos de abuso são pontos de atrito constante entre a Santa Sé e organizações de direitos humanos, que exigem que clérigos sejam julgados também pela justiça comum em seus respectivos países.
O que esperar
Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores
A defesa das vítimas planeja levar as reclamações a instâncias internacionais de direitos humanos caso o Vaticano não apresente uma resposta clara nas próximas semanas. A pressão pública pode forçar a Santa Sé a publicar um veredito ou, ao menos, permitir que as advogadas das mulheres tenham acesso formal à documentação do caso. O desfecho deste processo é considerado um marco para entender se a reforma na legislação canônica é efetiva ou se a estrutura de proteção aos altos cargos da Igreja permanece intacta.
Leia também no BS1
- [Nicarágua: Assembleia inicia manobra para extinguir eleições diretas](/noticia/nicaragua-assembleia-inicia-manobra-para-extinguir-eleicoes-diretas-9hh0pg) - [Maduro comparece a tribunal em Nova York para nova fase de julgamento](/noticia/maduro-comparece-a-tribunal-em-nova-york-para-nova-fase-de-julgamento-vtvx87) - [Protesto das baratas: Jovens desafiam governo de Narendra Modi na Índia](/noticia/protesto-das-baratas-jovens-desafiam-governo-de-narendra-modi-na-india-1c4pyqt)
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
Anuncie no BS1 e alcance milhares de leitores
Fique por dentro do nosso canal no WhatsApp Bs1.online
Comentários (0)
Entre para deixar um comentário.
Carregando...