Veranico eleva temperaturas no Sudeste enquanto Sul enfrenta temporais

Ar seco e calor atípico predominam no Centro-Oeste e Sudeste, enquanto o Rio Grande do Sul entra em alerta para acumulados de chuva, granizo e ventos fortes.

Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 00:003 min de leitura

Veranico eleva temperaturas no Sudeste enquanto Sul enfrenta temporais
Resumo em 10 segundos

Bloqueio atmosférico mantém calor intenso no interior do país, mas avanço de frente fria coloca estados sulistas em situação de emergência climática.

O início desta semana é marcado por um contraste meteorológico severo no Brasil. Enquanto as regiões Sudeste e Centro-Oeste enfrentam o fenômeno conhecido como veranico, com temperaturas muito acima da média para o período, o Rio Grande do Sul lida com a chegada de uma frente fria de forte intensidade. O sistema instável traz riscos de chuva volumosa, queda de granizo e rajadas de vento que podem superar os 80 km/h em diversas cidades gaúchas.

Alerta para tempestades no Sul

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a formação de um sistema de baixa pressão no Paraguai, somada ao fluxo de umidade vindo da Amazônia, potencializa as áreas de instabilidade no extremo sul brasileiro. O estado do Rio Grande do Sul é o ponto de maior atenção, com previsão de acumulados que podem atingir 100 milímetros em apenas 24 horas. As autoridades locais alertam para o risco de alagamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia elétrica, especialmente na Fronteira Oeste e na Campanha.

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Nas próximas horas, o mau tempo deve avançar também para Santa Catarina e o sul do Paraná. A transição brusca na temperatura, após dias de calor, favorece a ocorrência de microexplosões atmosféricas e descargas elétricas frequentes. A Defesa Civil recomenda que a população evite áreas de encostas e não se abrigue debaixo de estruturas metálicas ou árvores durante os períodos de ventania mais intensa.

Secura e calor no Centro-Sul

Em sentido oposto, uma massa de ar seco e quente segue estacionada sobre o Brasil Central. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Cuiabá registram índices de umidade relativa do ar abaixo de 30%, nível considerado de atenção pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse cenário de veranico impede a chegada de nebulosidade, resultando em tardes de sol forte e temperaturas que podem chegar aos 35°C em pleno inverno, dificultando a dispersão de poluentes nos grandes centros urbanos.

No Nordeste, o cenário também apresenta mudanças significativas. A intensificação dos ventos alísios transporta mais umidade do Oceano Atlântico para o continente, o que deve provocar chuvas constantes em toda a faixa litorânea, desde o Rio Grande do Norte até a Bahia. No Recife e em Maceió, os volumes podem ser moderados, exigindo atenção para o solo já encharcado em áreas de risco.

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Contexto

O fenômeno do veranico é caracterizado por um período de pelo menos quatro dias com temperaturas anormalmente altas e ausência de chuva durante a estação fria. Esse bloqueio atmosférico atua como uma barreira, impedindo que as frentes frias subam para o Sudeste, concentrando toda a energia e umidade na Região Sul. Historicamente, o mês de agosto apresenta essa característica de transição, mas a intensidade das massas de ar quente tem sido amplificada por variações climáticas globais recentes.

Além do desconforto térmico, a baixa umidade no Centro-Oeste acende o sinal de alerta para as queimadas. Com a vegetação ressecada, qualquer foco de incêndio se alastra com rapidez, prejudicando a qualidade do ar em estados como Mato Grosso e Goiás, onde o período de estiagem costuma ser rigoroso até o mês de setembro.

O que esperar

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A tendência para os próximos dias é de que a frente fria finalmente consiga romper o bloqueio atmosférico a partir de quinta-feira, trazendo um declínio nas temperaturas para o Sudeste. No entanto, a chuva deve chegar de forma isolada e com menor volume do que o registrado no Sul. No Rio Grande do Sul, o tempo só deve começar a firmar no final da semana, quando uma massa de ar polar entrará no estado, derrubando os termômetros para marcas próximas de 5°C nas áreas de serra.

Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE

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