Zema defende fim do controle estatal sobre a Petrobras e propõe modelo de 'corporation'
Em visita ao Rio de Janeiro, o governador mineiro Romeu Zema detalhou plano para transformar a Petrobras em uma empresa sem acionista controlador majoritário.
Por Jornalista Diego Sousa - MTB 0005226/CE· 21 de julho de 2026 às 13:123 min de leitura

Governador de Minas Gerais articula privatização da petroleira para reduzir influência política e atrair investimentos internacionais no setor de energia.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, apresentou nesta terça-feira (21) uma proposta contundente para o futuro da Petrobras. Durante encontro na sede do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), no Rio de Janeiro, o gestor defendeu a transformação da estatal em uma corporation, modelo no qual o capital é pulverizado no mercado e o governo deixa de ser o acionista controlador.
O novo modelo de gestão
Na visão de Romeu Zema, a mudança na estrutura societária da companhia é a única via para blindar a gigante do setor energético contra interferências políticas. O governador argumentou que a Petrobras deve seguir o exemplo da Eletrobras, que passou por um processo de desestatização bem-sucedido. Para o político do Partido Novo, o atual formato de controle governamental limita a competitividade da empresa e torna o preço dos combustíveis um alvo constante de disputas ideológicas que prejudicam o mercado financeiro.
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Durante o evento na capital fluminense, o pré-candidato destacou que a transição para o modelo de corporation permitiria que a empresa tomasse decisões técnicas pautadas na eficiência operacional. Zema enfatizou que o Estado brasileiro não possui capacidade de investimento para acompanhar a velocidade da transição energética global, e que a abertura total ao capital privado aceleraria a modernização das refinarias e a exploração do Pré-sal com menor custo para o contribuinte.
Impacto no setor de óleo e gás
O debate promovido no IBP reuniu lideranças do setor de óleo e gás, que acompanharam a defesa de uma agenda liberal por parte do governador mineiro. Romeu Zema pontuou que a governança corporativa de uma empresa sem dono definido impede que governos de diferentes vertentes utilizem a estatal como ferramenta de política fiscal. A proposta prevê que a União mantenha uma participação minoritária, mas perca o poder de veto e de indicação direta da diretoria executiva e do Conselho de Administração.
Para os defensores da medida, a pulverização das ações no mercado de capitais elevaria o valor de mercado da companhia e garantiria maior transparência. O plano apresentado no Rio de Janeiro faz parte de um conjunto de diretrizes econômicas que o governador pretende levar para a discussão nacional, focando na redução do tamanho da máquina pública e na venda de ativos estratégicos que hoje estão sob o guarda-chuva do Governo Federal.
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Contexto
A discussão sobre a privatização da Petrobras é um dos temas mais sensíveis da política brasileira e ganha força em anos pré-eleitorais. O modelo de corporation proposto por Zema já é realidade em grandes petroleiras globais e foi a solução adotada para a Eletrobras em 2022, quando o governo deixou de ser o sócio majoritário, embora tenha mantido a chamada golden share, uma ação de classe especial que dá poderes específicos em decisões estratégicas.
Historicamente, a estatal sofre com oscilações bruscas em suas ações na B3 sempre que há ruídos sobre mudanças na política de preços ou trocas no comando da empresa por motivações partidárias. Em Minas Gerais, o governador já implementou agendas de concessões e privatizações, buscando agora nacionalizar o discurso de que o Brasil precisa de um Estado menos empresário e mais regulador.
O que esperar
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A proposta deve enfrentar forte resistência no Congresso Nacional e de setores ligados aos sindicatos de petroleiros, que defendem a manutenção da soberania nacional sobre os recursos naturais. Por outro lado, o movimento de Romeu Zema sinaliza ao mercado que a pauta econômica liberal terá um representante de peso nas próximas discussões eleitorais, forçando outros candidatos a se posicionarem sobre o futuro da maior empresa do Brasil.
Por Diego Sousa | Jornalista – MTB 0005226/CE
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